Em todas as frases abaixo há a repetição de um vocábulo; a frase em que esse vocábulo repetido mostra significados diferentes é:
- A)“O que tiveres de fazer, faze-o depressa”;
Errada, porque "faze-o" retoma "fazer" apenas como verbo com o mesmo valor, sem mudança de sentido entre as ocorrências.
- B)“O ideal é não esperar pelo momento ideal”;
Certa, porque "ideal" aparece primeiro como substantivo e depois como adjetivo, com sentidos diferentes no contexto.
- C)“Não existem executivos bem-sucedidos. Há executados bem-sucedidos”;
Errada, porque a repetição de "bem-sucedidos" mantém o mesmo sentido em ambas as ocorrências.
- D)“A arte de agradar é a arte de enganar”;
Errada, porque "arte" é repetida com o mesmo valor de habilidade ou técnica nas duas partes da frase.
- E)“Há pessoas que têm dinheiro e pessoas que são ricas”.
Errada, porque "pessoas" e "dinheiro/rica(s)" não configuram repetição do mesmo vocábulo com sentidos diferentes.
Gabarito: B
A questão explora um recurso muito comum na língua: a repetição de uma mesma palavra com sentido diferente no mesmo enunciado. Às vezes, a palavra aparece duas vezes, mas muda de classe ou de valor semântico, e aí a banca quer saber se você percebeu a troca de sentido sem se deixar hipnotizar pela repetição. Na alternativa B, isso acontece com "ideal". Em "O ideal é não esperar...", "ideal" funciona como substantivo, no sentido de "o melhor princípio" ou "o mais conveniente". Já em "...pelo momento ideal", "ideal" é adjetivo, com o sentido de "perfeito", "adequado". Ou seja: a mesma forma reaparece, mas com função e significado diferentes. As demais alternativas repetem a palavra praticamente no mesmo sentido, sem mudança relevante de valor. Por isso, o gabarito é B. Em questões assim, a FGV costuma testar a sua atenção para polissemia, mudança de classe gramatical e valor contextual da palavra, mais do que decorar rótulos.