Em todos os pensamentos abaixo, o enunciador teve a preocupação de construir frases com paralelismo sintático. Assinale a opção que apresenta a frase em que essa preocupação acaba por gerar um erro gramatical.
- A)Eu pego as lendas e as transformo em coisas comuns; Mozart pega as coisas comuns e as transforma em lendas.
Está correta: há paralelismo perfeito entre “pego as lendas e as transformo em coisas comuns” e “pega as coisas comuns e as transforma em lendas”.
- B)Sucesso é conseguir o que você quer e felicidade é gostar do que você conseguiu.
Está correta: as duas orações mantêm a mesma estrutura e o mesmo ritmo sintático, sem quebra de paralelismo.
- C)As grandes épocas dizem: a arte. As épocas medíocres dizem: as artes.
Está correta: a repetição de “As grandes épocas dizem” / “As épocas medíocres dizem” conserva a simetria e não gera erro gramatical.
- D)A crítica é fácil e a arte é difícil.
Está correta: os dois membros “A crítica é fácil” e “a arte é difícil” apresentam estrutura equivalente e adequada.
- E)Felicidade é alguém para amar, algo para fazer e algo para aspirar.
Está errada: a enumeração tenta ser paralela, mas a escolha verbal em “algo para aspirar” rompe a correção gramatical esperada no conjunto.
Gabarito: E
Paralelismo sintático é a ideia de manter a mesma estrutura na apresentação de termos equivalentes. Quando o enunciador coloca elementos lado a lado, o leitor espera uma construção parecida em cada um deles, como se a frase “andasse em fila”. Isso deixa o texto mais claro, elegante e, em geral, mais correto. O problema aparece quando a simetria é buscada até demais e acaba misturando funções gramaticais diferentes. Em linguagem de concurso, isso costuma gerar erro quando o texto coloca no mesmo plano substantivos, orações reduzidas, infinitivos e expressões sem cuidar da estrutura de cada item. Na alternativa E, há quebra de paralelismo porque os três membros da enumeração não estão na mesma forma: “alguém para amar” e “algo para fazer” estão construídos com substantivo + oração reduzida de infinitivo, mas “algo para aspirar” soa inadequado no sentido pretendido, pois o verbo “aspirar” exige complemento diferente quando significa desejar. O paralelismo formal não salva um verbo mal empregado, e aí o enunciado tropeça na gramática. Em provas da FGV, esse tipo de questão costuma misturar estilo com regência: a frase parece bonita e simétrica, mas um dos termos não combina com o verbo escolhido. Então, além de olhar a estrutura, voce precisa conferir se cada verbo está pedindo o complemento certo. Aqui, o erro está exatamente nessa combinação mal ajustada entre forma paralela e regência verbal.