Há um erro de construção na frase a seguir. “Nenhum bem pode fundamentar-se na força, mesmo que a força fosse divina.” Assinale a opção que o indica.
- A)“fosse” deve ser substituído por “seja”.
Certa: "mesmo que" pede, em regra, o subjuntivo, e "seja" ajusta a frase à norma-padrão.
- B)“divina” deve ser substituído por “de Deus”.
Errada: "divina" está bem empregado; não há motivo gramatical para trocá-lo por "de Deus".
- C)“Nenhum” deve ser substituído por “Nem um”.
Errada: "Nenhum" está correto como pronome indefinido de sentido negativo, sem necessidade de separação.
- D)“mesmo que” deve ser substituído por “embora”.
Errada: "embora" poderia até exercer função concessiva, mas a troca não é necessária nem resolve o erro apontado.
- E)“fundamentar-se” deve ser substituído por “se fundamentar”.
Errada: "fundamentar-se" está correto na forma pronominal; a alteração sugerida não corrige o problema da frase.
Gabarito: A
A questão testa um ponto clássico de regência e modo verbal: certas locuções conjuntivas pedem verbo no subjuntivo, porque exprimem hipótese, concessão ou condição, e não fato certo. Em português formal, "mesmo que" normalmente introduz ideia concessiva e pede o subjuntivo. Por isso, em "mesmo que a força fosse divina", o verbo fica deslocado para um tempo que não combina com a construção pedida no enunciado. O problema está justamente em "fosse". Como a frase fala de uma possibilidade geral, a forma esperada é "seja", no presente do subjuntivo: "Nenhum bem pode fundamentar-se na força, mesmo que a força seja divina." Fica mais alinhado com a norma-padrão e com a ideia de concessão em aberto, não de um fato passado. Na prática, a banca gosta de cobrar isso com cara de detalhe, mas é um detalhe que derruba muita gente: o conector manda no modo verbal. Aqui, a substituição resolve a impropriedade de construção e deixa a frase gramaticalmente ajustada. Então o gabarito A está correto porque corrige o modo verbal exigido pela locução concessiva "mesmo que". É gramática em modo armadilha, daquelas que parecem poesia, mas cobram sintaxe fininha.