Todas as frases abaixo mostram a presença da conjunção OU; aquela frase em que ela tem valor de adição é:
- A)Aquele senhor falava inglês ou francês com facilidade;
Certa: "ou" tem valor aditivo, equivalente a "e", pois indica domínio das duas línguas, nao exclusao.
- B)Comprarei um carro novo: um Fusca ou um BMW;
Errada: aqui "ou" indica alternativa entre dois tipos de carro, com valor de escolha.
- C)Ou você se conserta ou desaparece daqui!;
Errada: a repetição de "ou" marca alternativa com tom de ordem/ameaça, nao adição.
- D)Rui Barbosa, ou a Águia de Haia, foi famoso jurista;
Errada: "ou" introduz retificação ou explicação do nome próprio, funcionando como aposto explicativo.
- E)Vamos estudar ou seremos reprovados.
Errada: há ideia de alternativa entre estudar e sofrer a consequência da reprovação.
Gabarito: A
A conjunção "ou" pode assumir valores diferentes no contexto: alternância, exclusão, explicação, retificação e até adição. Em provas, a banca gosta de testar isso, porque a palavra parece sempre a mesma, mas o sentido muda conforme a frase. O segredo é olhar o contexto, e nao apenas a forma isolada. Quando "ou" tem valor de adição, ela se aproxima de "e", indicando soma de possibilidades ou de características, sem ideia de exclusão. É o caso de "Aquele senhor falava inglês ou francês com facilidade": a frase sugere que ele dominava as duas línguas, e nao que fosse preciso escolher uma delas. Nas demais alternativas, "ou" traz outros valores: em "ou você se conserta ou desaparece daqui", há alternativa/ameaça; em "Rui Barbosa, ou a Águia de Haia", há retificação ou explicação; em "Vamos estudar ou seremos reprovados", há ideia de escolha entre duas consequências. Portanto, o gabarito é a letra A. Esse tipo de leitura é muito cobrado pela FGV, que adora analisar o valor semântico das conjunções no contexto, nao só a classificação gramatical de memória.