Um escritor americano é autor da seguinte frase: “Não grite por socorro à noite. Pode acordar os vizinhos.” Tal frase apresenta um problema textual, que é:
- A)a falta de coerência;
Certa: o problema é de coerência, porque a relação de sentido entre os termos da frase fica ilógica e contraditória.
- B)a inadequação vocabular;
Errada: as palavras empregadas são adequadas ao enunciado, não há erro de escolha vocabular.
- C)a pontuação equivocada;
Errada: a pontuação não é o foco do problema, pois a frase não peca por vírgulas ou por sinais inadequados.
- D)a ausência de coesão;
Errada: há ligação entre as partes da frase, então não é falta de coesão, e sim de sentido global.
- E)o desrespeito à norma culta.
Errada: a construção não apresenta desvio claro da norma culta; o problema é textual, não gramatical.
Gabarito: A
A questão trata de coerência textual, isto é, da lógica interna do texto. Um texto coerente faz sentido: as ideias se encaixam, a conclusão combina com a situação e a relação entre as frases não soa contraditória ou absurda. Na frase dada, o problema está justamente no sentido global. Em vez de orientar alguém a não gritar por socorro por um motivo plausível, a justificativa apresentada é estranha e deslocada: preocupar-se em não acordar os vizinhos não combina com uma situação de pedido de ajuda. O efeito é de quebra de lógica, quase uma piada involuntária. Por isso, o gabarito é a letra A. Não se trata de vocabulário, pontuação, coesão ou norma culta, mas de coerência: as partes até podem estar bem ligadas na superfície, porém o conteúdo não se sustenta de modo sensato. Em prova, quando a frase "parece certa" mas o raciocínio interno desanda, pense em coerência. Se quiser uma regra prática: coesão é a amarração linguística, coerência é o sentido. Aqui, a amarra até existe, mas o sentido escorrega da escada.