“São todos descobridores ruins, que pensam que não há terra quando conseguem ver apenas o mar.” (Francis Bacon) Assinale a opção que mostra um problema lógico desse pensamento.
- A)Não conseguir distinguir causa e consequência.
Errada, porque o problema não é de causa e consequência, mas de inferência indevida a partir de uma percepção parcial.
- B)Ser incapaz de organizar cronologicamente os fatos.
Errada, porque não se trata de ordem temporal dos fatos, e sim de um salto lógico na conclusão.
- C)Fazer uma dedução fundamentada em falsa oposição.
Certa, porque a frase faz uma dedução baseada numa oposição falsa entre ver o mar e a existência da terra.
- D)Não levar em conta o conhecimento tradicional.
Errada, porque o texto não discute tradição ou autoridade, mas sim a validade do raciocínio apresentado.
- E)Desacreditar as opiniões de autoridades.
Errada, porque não há ataque a autoridades; o erro está na estrutura lógica da conclusão.
Gabarito: C
A questão cobra a leitura lógica de uma frase curta e a identificação do tipo de erro no raciocínio. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como uma “armadilha elegante”: o texto parece profundo, mas a banca quer saber se voce percebe a falha na estrutura do pensamento. No pensamento de Bacon, o erro está em supor que, se a terra não pode ser vista no momento, então ela não existe. Isso cria uma oposição indevida entre duas possibilidades: ver o mar e existir terra. Só que uma coisa não elimina a outra. O fato de voce enxergar apenas o mar não autoriza concluir que não há terra. Esse é o problema lógico de uma falsa oposição, isto é, tratar como incompatíveis situações que podem coexistir. Em termos práticos, é um salto indevido na dedução: a conclusão vai além do que as premissas permitem. Por isso a alternativa C está correta. A FGV gosta muito desse tipo de análise: ela pega uma ideia com aparência filosófica e testa se voce identifica falhas de inferência, especialmente generalização apressada, falso dilema e conclusão sem base suficiente. Aqui, o ponto central é o falso contraste entre “ver apenas o mar” e “não haver terra”.