“Os olhos de um escritor, para serem transparentes, devem estar secos.” Para o autor dessa frase, uma obra literária deve estar isenta de:
- A)hipocrisia;
Hipocrisia não é o alvo da frase, porque o texto fala de emoção na escrita, e não de falsidade de caráter.
- B)erudição;
Erudição não tem relação direta com a ideia de olhos “secos”; a frase critica o excesso sentimental, não o uso de cultura ou conhecimento.
- C)sentimentalismo;
Correta, porque a imagem dos olhos secos indica uma obra sem excesso de emoção ou pieguice, isto é, sem sentimentalismo.
- D)observação;
Observação é o contrário do que a frase desvaloriza, já que o escritor precisa observar com clareza para ter olhos transparentes.
- E)religiosidade.
Religiosidade não aparece no sentido da frase, que trata da postura emocional do escritor, não de fé ou espiritualidade.
Gabarito: C
A frase usa uma imagem bem literária: olhos “transparentes” e “secos” indicam um escritor que observa a realidade sem deixar a emoção turvar a visão. Em outras palavras, a obra literária, nesse raciocínio, não deve nascer do derramamento sentimental, da emoção excessiva ou da melancolia que embacia o olhar. O foco está em uma escrita mais lúcida, mais contida, mais observadora. Por isso, o gabarito é a letra C. “Sentimentalismo” é justamente o excesso de sentimento, a inclinação para o sensível de modo exagerado, o que contraria a ideia de olhos secos e transparentes. A frase sugere distância crítica, não choro fácil de personagem nem do autor. É quase um convite: escreva com clareza, não com os olhos virando uma torneira literária. Na interpretação de texto, a FGV gosta de cobrar esse tipo de leitura por inferência: você precisa entender a metáfora e extrair a ideia central, em vez de ficar preso ao sentido literal das palavras. Aqui, a chave é perceber que “secos” aponta para ausência de derramamento emocional, não para dureza moral nem falta de sensibilidade humana.