Muitas expressões carecem de lógica; a frase abaixo perfeitamente lógica é:
- A)O freguês comprou o mesmo biscoito de ontem;
Errada: "o mesmo biscoito de ontem" soa impropriedade lógica, porque a ideia de identidade do biscoito não faz sentido no contexto comum.
- B)O diretor premiou com um castigo o funcionário;
Errada: há contradição semântica, pois premiar com castigo mistura ações opostas, o que quebra a lógica da frase.
- C)Ninguém respondeu à questão, exceto João;
Certa: a frase é coerente porque apresenta uma afirmação geral com exceção explícita, sem contradição interna.
- D)O décimo-terceiro será pago numa parcela única;
Errada: a forma até pode existir no uso comum, mas a construção é estranha e pouco lógica em comparação com uma formulação mais natural.
- E)Ao contrário do publicado, ele não chegou, ele partiu.
Errada: a sequência "ao contrário do publicado" já cria conflito com as ações apresentadas, deixando a frase semanticamente incoerente.
Gabarito: C
A banca aqui brinca com a ideia de lógica interna da frase, isto é, se as palavras combinam entre si de modo coerente. Em provas da FGV, isso costuma aparecer como um teste de atenção: a expressão pode até soar estranha, mas precisa manter sentido sem contradição, sem choque de ideias e sem uso torto de conectivos ou quantificadores. Na alternativa C, a frase é logicamente perfeita: se ninguém respondeu à questão, a exceção de João faz sentido, porque "ninguém" vale para todos, menos para quem é explicitamente excluído. Em outras palavras, a estrutura é coerente: há um conjunto geral e um único elemento fora dele, sem conflito semântico. Já as demais alternativas trazem problemas de lógica ou de seleção vocabular. A banca gosta desse tipo de armadilha: troca a ordem normal, mistura opostos ou cria uma combinação que soa gramaticalmente possível, mas semanticamente esquisita. Aqui, a leitura atenta resolve a questão sem precisar de malabarismo. Em resumo, o segredo é verificar se a frase se sustenta sozinha, sem contradição. A alternativa C faz isso direitinho, porque usa corretamente uma generalização seguida de exceção, que é uma construção perfeitamente lógica.