“O mundo se divide em duas espécies de pessoas: aquelas que querem falar com você e aquelas com as quais você quer falar.” Nessa frase, é possível trocar de posição os termos sublinhados sem alteração do sentido original, o que NÃO acontece na seguinte frase:
- A)Como a aranha, os livros tecem a rede que enrola e que enreda;
Errada, porque a comparação e a enumeração permitem rearranjo dos termos sem alterar o sentido central da frase.
- B)Os livros são os conselheiros mais acessíveis e sábios;
Errada, pois os adjetivos e o predicativo mantêm o mesmo valor semântico mesmo com a inversão sugerida.
- C)A gente tem de saber a hora certa de chegar e ir embora;
Certa, porque a ordem das ações é lógica e necessária, então a troca altera a relação de sentido entre “chegar” e “ir embora”.
- D)Toda obra de arte mira sua própria época e o futuro;
Errada, já que a expressão conserva a ideia central mesmo com variação de posição dos termos sublinhados.
- E)Agentes funerários e poetas gostam de se vestir de preto.
Errada, porque os dois sujeitos coordenados admitem a troca sem mudança relevante de sentido.
Gabarito: C
A questão trata de flexibilidade sintática: em algumas frases, você pode trocar dois trechos de lugar sem mudar o sentido porque a estrutura admite essa inversão com naturalidade. Isso acontece, por exemplo, quando há simetria semântica ou quando a construção fica bem formada mesmo com a troca. No enunciado, a ideia é essa: há expressões que podem aparecer em ordem diferente sem prejuízo do sentido original. O teste da banca é justamente ver se você percebe quando a troca é só um rearranjo elegante e quando ela mexe na lógica da frase. A alternativa correta é a C. Em “A gente tem de saber a hora certa de chegar e ir embora”, os verbos “chegar” e “ir embora” não funcionam como termos perfeitamente intercambiáveis sem mudança de sentido, porque a sequência temporal importa: primeiro chega-se, depois vai-se embora. Se você inverter, a frase perde a naturalidade e pode até sugerir uma ideia diferente, quebrando a relação lógica da ação. As demais alternativas mantêm uma estrutura em que a troca dos termos não altera o núcleo do sentido ou em que a construção continua aceitável. A banca FGV gosta muito desse tipo de análise fina: não basta olhar se a frase “soa bem”, é preciso observar se a inversão preserva a relação semântica entre os elementos.