A frase a seguir que foi estruturada a partir de outra bastante conhecida (intertextualidade) é:
- A)“A pressa é inimiga da refeição.”
Correta, porque recria uma frase famosa e conhecida, alterando uma palavra para produzir humor e intertextualidade.
- B)“Quem não fez nada, não sabe nada.”
Errada, porque tem tom de máxima geral, mas não mostra diálogo reconhecível com outra frase conhecida.
- C)“A pressa gera o erro em todas as coisas.”
Errada, porque é apenas uma afirmação genérica sobre pressa e erro, sem intertexto claro com texto anterior famoso.
- D)“Em toda iniciativa pensa bem aonde queres chegar.”
Errada, porque funciona como conselho comum, mas não apresenta marca de recriação de expressão consagrada.
- E)“Sem entusiasmo nunca se realizou nada de grandioso.”
Errada, porque é uma frase de tom proverbial, porém não revela transformação evidente de um enunciado conhecido.
Gabarito: A
Intertextualidade acontece quando um texto dialoga com outro já conhecido, reaproveitando sua estrutura, seu sentido ou até fazendo uma brincadeira com a frase original. Em prova, isso costuma aparecer como paráfrase, paródia, citação ou alusão. A pista é simples: se a frase nova lembra claramente uma já famosa, houve conversa entre textos. Aqui, a alternativa A faz isso de modo bem evidente. Ela retoma a conhecida expressão “A pressa é inimiga da perfeição” e troca “perfeição” por “refeição”. O efeito é de humor, porque a estrutura da frase é mantida, mas o sentido é deslocado para um contexto de comida. Esse tipo de adaptação é típico de intertextualidade, especialmente quando há recriação com tom divertido. As outras alternativas trazem enunciados genéricos, em forma de conselho ou máxima, mas não deixam perceber um texto-base famoso por trás delas. Ou seja, podem soar como provérbios, mas não exibem a marca de recriação de uma frase conhecida. Em questões da FGV, o segredo é notar esse eco textual: mesma forma, troca pontual de palavra e efeito de sentido novo. Não há fundamento legal específico aqui, porque estamos no campo da interpretação textual e dos recursos de linguagem. O ponto central é reconhecer que a alternativa correta depende da relação com um enunciado pré-existente, e não apenas de parecer bonita ou sentenciosa.