Alguém definiu o especialista como um homem que conhece cada vez mais sobre cada vez menos; essa definição mostra um problema do conhecimento moderno, que é
- A)a falta de critério na análise dos fatos.
Errada, porque o problema não é falta de critério na análise, mas a fragmentação e o excesso de especialização do conhecimento.
- B)a incapacidade dos estudiosos de hoje.
Errada, porque o enunciado não acusa incapacidade pessoal dos estudiosos, e sim uma característica estrutural do conhecimento moderno.
- C)a impossibilidade de conhecer-se a realidade.
Errada, porque não se fala em impossibilidade de conhecer a realidade, mas em conhecer muito de uma parte e pouco do conjunto.
- D)a ausência de um estudo verdadeiro dos fatos.
Errada, porque não há crítica à falta de estudo verdadeiro dos fatos; ao contrário, há estudo, só que cada vez mais restrito a recortes específicos.
- E)a enorme quantidade de informações sobre cada tema.
Certa, porque expressa a ideia de acúmulo intenso de informações sobre temas cada vez mais delimitados, exatamente o problema apontado.
Gabarito: E
A frase trabalha com uma crítica clássica ao conhecimento moderno: quanto mais o saber se divide em áreas muito específicas, mais o especialista domina um pedaço pequeno do todo. É aquele sujeito que sabe tudo sobre um ponto minúsculo, mas, quando olha o panorama geral, fica meio perdido. Isso não é defeito da ciência em si, mas um efeito da especialização extrema. A expressão "conhece cada vez mais sobre cada vez menos" resume exatamente essa ideia. O problema apontado não é falta de estudo, nem incapacidade dos estudiosos, e muito menos impossibilidade de conhecer a realidade. O foco está na concentração excessiva de informações e aprofundamento em recortes cada vez menores do objeto de estudo. Por isso, o gabarito é a letra E. Ela traduz com precisão o ponto central do enunciado: o conhecimento moderno produz uma enorme quantidade de informações sobre cada tema, mas muitas vezes em segmentos muito restritos, o que fragmenta a visão global. Em linguagem de prova, isso é a especialização excessiva, muito cobrada pela FGV em interpretação de texto. Em resumo: o enunciado critica a fragmentação do saber. Não é uma tese jurídica nem um princípio legal; é uma leitura de sentido, típica de questões de interpretação, em que você precisa captar a ideia implícita do texto, e não apenas caçar palavras iguais.