“Meu aluno Roberto tira sempre boas notas nas provas, mesmo trabalhando vinte horas semanais num restaurante do Centro. Isso prova que o trabalho em tempo parcial não prejudica o estudo universitário.” O problema da tese defendida nesse texto é o de que ela:
- A)se apoia sobre um caso particular, não representativo;
Correta: a conclusão geral nasce de um exemplo isolado, sem representatividade suficiente.
- B)se fundamenta num princípio universal que é aplicado a um caso particular;
Errada: não há princípio universal aplicado a um caso particular, e sim o caminho inverso.
- C)se estrutura a partir de uma analogia, partindo de um terreno conhecido para um desconhecido;
Errada: o texto não faz analogia entre domínios conhecidos e desconhecidos; ele usa um exemplo concreto.
- D)não se apoia em fatos para a defesa da tese, tornando-a, por isso mesmo, muito debilitada;
Errada: o texto até se apoia em fato, mas em um fato insuficiente para provar a tese geral.
- E)se ancora em um testemunho de autoridade.
Errada: Roberto não é autoridade reconhecida; é apenas um caso individual relatado.
Gabarito: A
A questão cobra um defeito clássico de raciocínio: tirar uma conclusão geral a partir de um caso isolado. Aqui, o texto fala de um aluno específico, Roberto, que trabalha vinte horas por semana e mesmo assim vai bem nas provas. Isso pode ser verdade para ele, mas não autoriza dizer que a situação vale para todos os universitários que trabalham em tempo parcial. Em provas de interpretação e argumentação, a FGV adora esse tipo de salto indevido: de um exemplo individual para uma regra geral. É o famoso "um caso não faz verão". Para sustentar uma tese desse tamanho, seria preciso um conjunto de dados mais amplo, comparação entre grupos, pesquisa, estatística ou alguma base empírica consistente. Perceba que o problema não é haver um fato no texto. Fato há: Roberto teve boas notas. O problema é o uso desse fato como se ele bastasse para provar a tese. Isso é frágil porque um caso isolado pode ser exceção, coincidência ou resultado de fatores pessoais que não se repetem em outros estudantes. Por isso, o gabarito é a letra A: a tese se apoia sobre um caso particular, não representativo. Em linguagem de argumentação, trata-se de uma generalização apressada, um raciocínio que parece convincente na superfície, mas escorrega quando você pede mais base.