“Quando nos toma o pulso, o médico confere o relógio.” Mário da Silva Brito, escritor. Isso quer dizer que o médico
- A)confere a boa pulsação pelo relógio.
Errada, porque a frase não fala em avaliar a pulsação pelo relógio, e sim em usar o relógio para controlar o tempo da consulta.
- B)não confia no equipamento de medição.
Errada, porque não há ideia de desconfiança no equipamento; o relógio é apenas o instrumento usado para medir o tempo.
- C)verifica o bom funcionamento do relógio.
Errada, porque o texto não sugere que o médico esteja testando se o relógio funciona bem.
- D)está preocupado com o tempo gasto na consulta.
Errada, porque o foco não é uma preocupação genérica com a duração da consulta, mas o controle do tempo enquanto realiza o exame.
- E)controla o tempo do exame da pulsação pelo relógio.
Certa, porque exprime exatamente a ideia de que o médico acompanha o tempo do exame da pulsação com o relógio.
Gabarito: E
A questão explora interpretação de linguagem figurada e o jogo de sentidos da frase. Quando o texto diz que, ao tomar o pulso do paciente, o médico "confere o relógio", a ideia não é que ele esteja olhando para o relógio como objeto de medição do pulso, mas sim que aproveita o gesto para controlar o tempo do exame. É uma imagem irônica: o médico faz duas coisas ao mesmo tempo, examina o paciente e vigia a duração da consulta. Nessas questões da FGV, é comum o enunciado trazer uma frase curta, quase um aforismo, para testar se voce capta o sentido implícito e não apenas o sentido literal. Aqui, o verbo "confere" aponta para a ação de verificar, checar o tempo. O foco está no tempo gasto no atendimento, não na qualidade do pulso nem no funcionamento do relógio. Por isso, o gabarito E está correto: o médico controla o tempo do exame da pulsação pelo relógio. Em outras palavras, enquanto toma o pulso, ele observa o relógio para administrar a consulta. Não há fundamento legal aqui, porque a questão é de interpretação textual, não de norma jurídica; o que vale é perceber a relação semântica entre as ações descritas. Resumo prático: sempre que a banca misturar duas ações na mesma frase, procure entender qual é a relação entre elas. Aqui, uma ação serve de pretexto para acompanhar a outra, e a graça da frase está justamente nesse duplo sentido.