“Amizade é semelhante a um bom café: uma vez frio não se aquece sem perder bastante do sabor original”. Essa frase de base comparativa nos diz que
- A)a amizade não permanece após a morte.
Errada, porque a frase não fala de morte, mas de uma mudança na qualidade da amizade após uma ruptura.
- B)a amizade nunca será a mesma após uma separação.
Certa, porque a comparação com o café frio indica perda de sabor original, isto é, a amizade não volta a ser exatamente como antes depois de uma separação.
- C)a amizade não sobrevive sem dedicação mútua dos amigos.
Errada, porque a frase não trata de dependência de dedicação mútua, e sim da irreversibilidade da perda de intensidade.
- D)a amizade será sempre uma relação prazerosa entre pessoas.
Errada, porque a comparação não diz que a amizade é sempre prazerosa, mas que pode perder o “sabor original”.
- E)a amizade mostra valores diferentes segundo a época da vida.
Errada, porque o texto não relaciona a amizade a fases da vida, e sim a uma mudança que diminui sua qualidade original.
Gabarito: B
A questão explora interpretação de texto por analogia. Quando o enunciado diz que a amizade é como um bom café, a ideia é que certas coisas, quando perdem a “temperatura” original, já não voltam a ser exatamente como eram. Em prova, esse tipo de comparação costuma pedir que você capte a mensagem central, e não que traduza a frase ao pé da letra. Aqui, o ponto principal é que o frio do café representa uma mudança que altera a qualidade original. Do mesmo modo, a amizade, depois de uma ruptura ou afastamento, pode até continuar existindo de algum jeito, mas dificilmente retoma a mesma intensidade, espontaneidade e sabor de antes. É uma leitura de permanência com transformação, não de desaparecimento total. Por isso, o gabarito é a letra B: a amizade nunca será a mesma após uma separação. A frase não diz que ela acaba, nem que depende necessariamente de dedicação mútua, nem que é sempre prazerosa. Ela afirma que, uma vez alterada a condição original, há perda irreversível de qualidade, como acontece com o café frio. Em interpretação, a FGV gosta muito de cobrar esse raciocínio inferencial: você compara os elementos da metáfora e identifica a ideia implícita. Então, quando aparecer uma imagem poética dessas, pense no valor simbólico da comparação, não em uma leitura literal.