“As bulas de remédios são inúteis para os consumidores. Além de trazer informações desnecessárias e assustadoras, vêm carregadas de advertências confusas, que podem abalar a confiança que os clientes têm nos médicos. O objetivo é fornecer argumentos aos advogados dos laboratórios em eventuais ações judiciais. Os consumidores que se danem.” Deonísio da Silva, A língua nossa de cada dia. Assinale a opção que apresenta o fragmento que não faz uma crítica às bulas.
- A)A bula deveria prestar informações indispensáveis aos consumidores.
Está correta como crítica às bulas, porque afirma que elas deveriam trazer informações úteis e indispensáveis ao consumidor.
- B)O balconista da farmácia é obrigado a decifrar os garranchos do médico.
Está errada porque critica a letra do médico e a dificuldade de decifrar a receita, não as bulas.
- C)Os laboratórios não pensaram nos leitores ao escolher letras tão pequeninas.
Está correta como crítica às bulas, já que aponta a escolha de letras muito pequenas e a falta de preocupação com o leitor.
- D)A linguagem das bulas de remédios deixou de defender os fracos e oprimidos.
Está correta como crítica às bulas, porque ironiza a linguagem delas como se deixasse de cumprir uma função protetiva e clara.
- E)Cápsula, drágea, posologia, solução oral etc. eis amostras de palavras das bulas. Quem as entende?
Está correta como crítica às bulas, pois destaca o excesso de termos técnicos e pergunta, em tom irônico, quem realmente entende esse vocabulário.
Gabarito: B
A questão trabalha interpretação de texto com foco no tom crítico. O trecho de Deonísio da Silva ironiza as bulas, dizendo que elas trazem informações desnecessárias, assustadoras e confusas, então a ideia central é atacar a forma como esses textos são escritos e usados. Quando a banca pede o fragmento que "não faz uma crítica às bulas", você deve procurar a única opção que desvie do alvo principal. As outras alternativas apontam defeitos típicos atribuídos às bulas: linguagem difícil, letras pequenas, excesso de termos técnicos e pouca preocupação com o leitor. A letra B fala do balconista da farmácia decifrando os garranchos do médico. Aqui a crítica não é à bula, mas à ilegibilidade da receita médica, ou seja, ao receituário do médico. Por isso, ela sai do tema das bulas e não participa da ironia contra elas. Em leitura de prova, vale a regra prática: identifique o objeto criticado no enunciado e veja se a alternativa mantém esse mesmo foco. Se muda o alvo, a resposta costuma estar aí, sem disfarce.