“O homem não SE conhece o suficiente para medir aquilo de que precisa.” A frase abaixo em que o vocábulo SE destacado tem o mesmo valor que na frase acima é:
- A)Quem não tem dificuldades próprias dificilmente SE lembra das alheias;
Errada: em "se lembra", o verbo é pronominal e não traz o mesmo valor reflexivo de a ação recair sobre o próprio sujeito como na frase-base.
- B)Nada é tão difícil que não SE possa fazer;
Errada: aqui o "se" está ligado à construção de valor impessoal/indeterminado, e não a reflexividade.
- C)Enquanto SE pensa, muitas vezes a ocasião se perde;
Errada: o "se" indica sujeito indeterminado, sem a ideia de o sujeito agir sobre si mesmo.
- D)Quanto maior for a sorte, menos SE deve acreditar nela;
Errada: o "se" também aparece com valor de indeterminação do sujeito, não de reflexividade.
- E)Enquanto o homem SE barbeia, seu pensamento viaja.
Certa: em "se barbeia", o sujeito pratica a ação sobre si mesmo, exatamente como em "se conhece".
Gabarito: E
Na sintaxe do português, o vocábulo "se" pode desempenhar vários papéis: pode indicar reflexividade, apassivação, indeterminação do sujeito ou fazer parte de verbos pronominais. O truque da questão é perceber qual é a relação entre o sujeito e a ação. Na frase "O homem não se conhece o suficiente...", o "se" é reflexivo: o sujeito pratica e recebe a ação ao mesmo tempo. Em outras palavras, o homem conhece a si mesmo. Isso é bem diferente de um "se" de passividade ou de indeterminação, que mudam a estrutura da oração. A alternativa E repete exatamente essa ideia: "Enquanto o homem se barbeia...". Quem faz a ação é o próprio homem, e a ação recai sobre ele mesmo. De novo, há reflexividade, só que agora em um gesto bem cotidiano - ninguém escapa do espelho. Nas demais alternativas, o "se" não tem esse mesmo valor: em algumas, ele marca indeterminação do sujeito; em outras, integra verbos pronominais ou funciona em construção passiva. Por isso, o gabarito é E.