Num artigo sobre neologismos em nossa língua, o eminente gramático Evanildo Bechara nos mostra aspectos pelos quais eles devem ser encarados: 1º) se o termo foi criado segundo os princípios que regem a formação de palavras em nossa língua; 2º) se o termo traduz com eficiência a ideia que quis transmitir; 3º) se o idioma já não possui palavra eficiente na transmissão dessa ideia. A frase abaixo em que o neologismo destacado cumpre todos esses requisitos é:
- A)Augusto faz estudos de marketing;
Errada, porque "marketing" não é neologismo ali, mas um estrangeirismo já incorporado ao português, e a frase não traz uma criação nova.
- B)As vítimas tinham sido apagadas na noite anterior;
Errada, porque "apagadas" está sendo usado em sentido comum/figurativo, não como neologismo bem formado e consolidado.
- C)O marqueteiro do senador foi eficiente;
Certa, porque "marqueteiro" é uma formação adequada, expressa bem a ideia e supre uma necessidade vocabular do português.
- D)No restaurante, o chefe era de origem francesa;
Errada, porque "chefe" é palavra antiga e comum da língua, sem qualquer novidade morfológica ou semântica relevante.
- E)O serviço de delivery ganhou força na pandemia.
Errada, porque "delivery" é estrangeirismo, não neologismo português formado pelos mecanismos internos da língua.
Gabarito: C
Neologismo é palavra nova, expressão nova ou novo sentido para palavra já existente. Em prova, a banca gosta de cobrar a ideia de Bechara: o vocábulo precisa nascer dentro das regras da língua, ser claro para comunicar a ideia e, de preferência, preencher uma lacuna lexical real. Ou seja, não basta ser “novidade por novidade”. Tem que funcionar e soar natural no sistema da língua. Na alternativa correta, "marqueteiro" é um bom exemplo: foi formado a partir de "marketing" com adaptação morfológica ao português, usando um sufixo produtivo para designar pessoa ligada a uma atividade. Além disso, a palavra comunica bem a ideia de profissional que trabalha com marketing político ou comercial, sem causar estranhamento. Também atende ao terceiro critério de Bechara porque o português não tinha, de forma tão direta e econômica, um termo equivalente para esse agente específico. Dizer apenas "profissional de marketing" é mais longo e menos preciso no contexto. A forma nova, portanto, é útil, expressiva e funcional. Por isso, a letra C é a melhor resposta: o neologismo não só existe, como cumpre os requisitos de formação, expressividade e necessidade. É aquele caso em que a língua diz: "ok, essa palavra veio para ficar".