Observe a seguinte descrição de um museu: “Do lado de fora e diante da porta central, pude observar a enorme porta, de estilo antigo, de madeira sólida, cercada de um pequeno friso de pedra, talvez por exigência do estilo da época; ao lado, uma série de janelas do mesmo material, que, em função do horário, ainda estavam fechadas.” Nessa descrição, nem todos os elementos do museu estão presentes; isso ocorre em muitas descrições por diferentes limitações de quem descreve. No caso desse segmento, a limitação descritiva provém:
- A)de problemas psicológicos de quem observa;
Errada, porque o trecho não indica qualquer problema psicológico do observador, apenas uma limitação de posição.
- B)de falta de conhecimento mais profundo sobre o tema;
Errada, pois o texto não sugere desconhecimento do tema, mas sim uma observação parcial do museu.
- C)do posicionamento físico do observador;
Certa, porque a descrição é limitada pelo lugar de onde o observador vê o museu, isto é, pelo seu posicionamento físico.
- D)do pouco tempo disponível para uma ampla descrição;
Errada, já que nada no enunciado aponta falta de tempo para descrever, e sim restrição visual do ponto de observação.
- E)do desinteresse em mostrar outros aspectos do museu.
Errada, porque o trecho mostra interesse em descrever, mas apenas os aspectos visíveis a partir do local em que o narrador está.
Gabarito: C
A questão trabalha com o olhar do observador na descrição. Em textos descritivos, nem sempre o autor consegue ou quer mostrar o objeto inteiro: às vezes ele descreve só o que vê de onde está, como se a cena viesse em “recorte”. Isso é muito comum quando o ponto de vista limita o que pode ser observado. No trecho, a pessoa está “do lado de fora e diante da porta central”. Esse detalhe entrega tudo: ela não está circulando pelo museu, nem vendo o interior com liberdade, mas observando a fachada e o entorno imediato. Por isso aparecem a porta, as janelas e características externas, e não outros elementos do museu. Ou seja, a limitação descritiva não vem de falta de vontade, nem de problema psicológico, nem de pouco tempo. O motivo é físico e espacial: o observador está em um lugar específico, com visão parcial do objeto descrito. Em linguagem de prova, isso é a velha regra do ponto de vista: quem descreve só consegue destacar aquilo que está ao alcance do seu olhar. Por isso, o gabarito é a alternativa C.