Sobre expressões como “Uma mãe é uma mãe”, “Uma mulher é uma mulher”, “A Amazônia é a Amazônia”, é correto afirmar que:
- A)o primeiro termo está no sentido figurado e o segundo, no sentido próprio;
Errada, porque não há oposição entre sentido figurado no primeiro termo e sentido próprio no segundo; o efeito é de ênfase e qualificação.
- B)o primeiro termo é substantivo comum e o segundo, substantivo próprio;
Errada, porque o ponto não é classificar um termo como comum e o outro como próprio, mas perceber a função semântica no enunciado.
- C)o primeiro termo aponta as qualidades enquanto o segundo indica a pessoa;
Errada, porque a frase não separa qualidades e pessoa dessa forma; ela reforça uma característica atribuída ao termo repetido.
- D)os dois termos apresentam rigorosamente o mesmo significado;
Errada, porque a repetição não produz mera identidade de sentido, mas um valor expressivo e qualificativo.
- E)o segundo termo é considerado adjetivamente.
Certa, porque o segundo termo aparece com valor adjetivo, isto é, qualificando e intensificando a ideia expressa pelo primeiro.
Gabarito: E
Nessas expressões, a repetição não serve só para dizer identidade. Quando alguém fala "Uma mãe é uma mãe" ou "A Amazônia é a Amazônia", o segundo termo não está funcionando como simples substantivo nomeando algo, mas como uma palavra com valor qualificativo, quase como se viesse carregada de características, atributos e intensidade. Em outras palavras, o segundo elemento ganha sentido adjetivo: ele destaca a essência, a qualidade típica ou a força de uma ideia. Isso é muito comum em construções enfáticas da língua portuguesa. Você diz "uma mãe é uma mãe" e o sentido não é apenas "igual a si mesma"; é "uma mãe tem características próprias de mãe, e isso basta para dizer tudo". O segundo termo, portanto, funciona adjetivamente, porque acrescenta qualificação ao primeiro, em vez de apenas repetir um nome. Por isso o gabarito é a letra E. A banca explora justamente esse uso semântico: o substantivo reaparece, mas com valor de qualificador, aproximando-se da função de adjetivo. É uma leitura de morfologia na prática, mais ligada ao valor que a palavra assume no contexto do que à classe gramatical isolada.