“Como é bom não fazer nada e, em seguida, discursar!” (ditado espanhol) Nesse ditado critica-se
- A)o descansar em lugar de trabalhar.
Errada, porque o foco não é descansar em vez de trabalhar, mas a contradição entre não agir e depois falar.
- B)o aproveitar-se do trabalho alheio.
Errada, porque não há ideia de aproveitar o trabalho de outra pessoa; a crítica é ao discurso sem ação.
- C)o falar em lugar de agir.
Certa, pois o ditado ironiza quem fala bonito depois de não ter feito nada, criticando o falar em lugar de agir.
- D)o interessar-se exclusivamente por política.
Errada, porque o provérbio não trata de preferência por política, e sim de comportamento e incoerência prática.
- E)o explorar o próximo.
Errada, porque não há referência a abuso, dominação ou exploração do próximo no sentido moral ou social.
Gabarito: C
O ditado espanhol joga uma crítica bem irônica: a pessoa primeiro não faz nada e depois ainda fala como se tivesse autoridade. Em outras palavras, o alvo não é o descanso, nem a política, nem exploração de ninguém. O que está em foco é o contraste entre a omissão e o discurso vazio, entre ficar parado e depois sair discursando bonito. Esse tipo de enunciado cobra interpretação literal e implícita ao mesmo tempo. Você precisa perceber a ideia central do provérbio, não só as palavras isoladas. Aqui, "discursar" aponta para falar, opinar, pregar, sem necessariamente agir antes. É aquela velha figura do muito falar e pouco fazer. Por isso, a alternativa correta é a C: o ditado critica o falar em lugar de agir. A mensagem é que não faz sentido usar a fala para encobrir a falta de ação, como se o discurso compensasse a inércia. Em prova da FGV, esse tipo de leitura indireta aparece bastante: a banca gosta de testar se você capta a ironia e o sentido global da expressão. Se quiser resumir em uma fórmula mental, pense assim: provérbio = opinião condensada sobre comportamento humano. Aqui, a crítica é ao sujeito que faz pose de orador depois de não ter feito nada. Elegante no discurso, fraco na prática.