Um grande filósofo disse: “Nem todo problema que se tem com a namorada se deve necessariamente ao modo capitalista de produção”. Com essa frase, o autor pretende criticar
- A)o sistema capitalista.
Errada, porque a frase não ataca o capitalismo em si, mas a explicação exageradamente única que tenta culpar o capitalismo por qualquer problema.
- B)a mistura indevida de planos diferentes.
Errada, porque não se critica a mistura de planos, e sim a redução de tudo a uma causa só, mesmo quando os assuntos são diferentes.
- C)o envolvimento pessoal na argumentação.
Errada, porque o foco não é a participação emocional do falante na argumentação, mas a crítica ao simplismo explicativo.
- D)a visão sentimental da economia capitalista.
Errada, porque não há defesa nem ataque de uma visão sentimental da economia; a ironia mira a generalização causal.
- E)a indicação de uma só causa para todos os fatos.
Certa, porque a frase critica exatamente a tendência de explicar todos os fatos por uma única causa, sem considerar a complexidade das situações.
Gabarito: E
A frase ironiza um hábito comum na argumentação: querer explicar tudo por uma única causa, como se um fator resolvesse sozinho qualquer problema do mundo. Em prova de Português, isso costuma aparecer como crítica a raciocínios simplistas, que reduzem situações complexas a uma explicação única e automática. Aqui, o enunciado usa um exemplo exagerado para mostrar justamente isso: nem todo conflito pessoal, como um problema com a namorada, pode ser jogado na conta do modo capitalista de produção. A graça está no descompasso entre o fato concreto e a explicação grandiosa demais. É um jeito de dizer: cuidado com a mania de transformar qualquer assunto em uma tese universal. Por isso, o alvo da frase é a tendência de atribuir uma só causa para todos os fatos. Em termos de interpretação, o autor critica a simplificação indevida da realidade e o abuso de explicações totalizantes. Não há aqui ataque direto ao capitalismo nem defesa de uma visão sentimental; há, sim, uma crítica ao raciocínio que força a barra para encaixar tudo na mesma explicação. Esse tipo de questão é bem FGV: ela gosta de testar se você percebe a ironia e identifica o foco real da crítica, sem cair na palavra mais chamativa do texto. O fundamento é mais de interpretação e lógica textual do que de gramática: entender a intenção do enunciador e o efeito de sentido produzido pela frase.