Os gênios são aqueles que dizem muito antes o que se dirá muito depois. Ramón Gómez De La Serna, escritor espanhol. Nesse pensamento, a palavra muito é empregada duas vezes, com o mesmo valor que apresenta na seguinte frase:
- A)“Que sorte possuir muito discernimento: nunca te faltam bobagens para dizer.”
Errada, porque em "muito discernimento" a palavra tem valor de quantidade/intensidade ligado ao substantivo, e não o mesmo uso adverbial da frase-base.
- B)“A sutileza ainda não é inteligência. Às vezes os tolos e os loucos também são muito sutis.”
Certa, porque "muito" intensifica o adjetivo "sutis", funcionando como advérbio de intensidade, exatamente como no enunciado.
- C)“Os deuses deram ao homem muito intelecto, que é a maior de todas as riquezas.”
Errada, porque em "muito intelecto" o termo acompanha um substantivo, atuando com sentido de quantidade ou intensidade nominal, não com o mesmo valor pedido.
- D)“Muitas vezes a inteligência traz muito incômodo como uma lamparina no quarto.”
Errada, porque "Muitas vezes" traz "muitas" em expressão adverbial de frequência, e o segundo "muito" também não reproduz o mesmo uso do enunciado.
- E)“Há muito espaço de onde emana a inteligência.”
Errada, porque "há muito" indica tempo decorrido ou existência em expressão fixa, sem manter o valor de intensificação observado na frase-base.
Gabarito: B
Na questão, a palavra "muito" aparece com valor de advérbio de intensidade, isto é, serve para reforçar o verbo ou o adjetivo, como quem coloca um holofote na ideia principal. No pensamento de Ramón Gómez de la Serna, em "dizem muito antes" e "se dirá muito depois", o termo intensifica os momentos do dizer, indicando que algo ocorre com grande antecedência ou grande posterioridade. Quando a banca quer "o mesmo valor", ela está pedindo a mesma classe e a mesma função na frase. Então você deve procurar um "muito" que também esteja intensificando uma qualidade, e não um substantivo, nem funcionando como parte de expressão de quantidade indefinida. A alternativa B traz exatamente isso: "os tolos e os loucos também são muito sutis". Aqui, "muito" intensifica o adjetivo "sutis", funcionando como advérbio de intensidade, do mesmo jeito que na frase do enunciado. É o uso mais clássico e limpo da palavra. As outras alternativas desviam do caminho: em algumas, "muito" vem ligado a substantivo, em outras compõe expressão com valor diferente. Em concurso, a banca costuma testar justamente essa troca de função: a mesma palavra, mas com papel morfológico diferente. Então, olho vivo: o segredo está na função, não só na aparência.