“A matemática é a única ciência exata em que se nunca se sabe do que se está falando nem se o que aquilo que se diz é verdadeiro”. Bertrand Russell. Essa frase afirma que na matemática “nunca se sabe do que se está falando”, ou seja, contém a marca da
- A)inexatidão.
Errada, porque a frase não sugere falta de exatidão na matemática, mas sim o uso de conceitos abstratos.
- B)abstração.
Certa, porque a expressão aponta para a natureza abstrata da matemática, que trabalha com ideias e relações não concretas.
- C)imprecisão.
Errada, porque imprecisão é o oposto do que se associa à matemática, que é marcada por rigor e precisão.
- D)ilogicidade.
Errada, porque não há crítica à lógica matemática; a frase faz uma observação irônica sobre seu grau de abstração.
- E)dúvida.
Errada, porque a frase não transmite hesitação ou incerteza, mas uma característica conceitual da matemática.
Gabarito: B
A questão explora um detalhe de interpretação muito comum em provas da FGV: a banca quer que você identifique a ideia central transmitida pela expressão usada no texto, e não uma leitura literal apressada. Quando Russell diz que na matemática "nunca se sabe do que se está falando", ele não está atacando a lógica da matemática nem dizendo que ela é confusa. Pelo contrário: a frase brinca com o fato de a matemática trabalhar com conceitos abstratos, que muitas vezes não se referem a objetos concretos do dia a dia. Em outras palavras, a matemática lida com noções que existem no plano das ideias, das relações e das estruturas. Por isso, a marca apontada no enunciado é a abstração: fala-se de entes e relações que nem sempre têm correspondência imediata com algo palpável. Isso é bem diferente de inexatidão, imprecisão ou dúvida, porque a matemática costuma ser justamente o reino da precisão. A chave aqui é perceber que "não se sabe do que se está falando" é uma formulação irônica, usada para destacar que o discurso matemático trata de objetos abstratos, não de coisas concretas facilmente nomeáveis. Assim, o gabarito B está correto porque traduz essa característica essencial da linguagem matemática. Em prova, pense assim: se o texto aponta para algo que não é concreto, material ou sensível, a ideia é de abstração. A FGV adora esse tipo de leitura fina, em que a expressão do enunciado vale mais do que uma interpretação literal demais.