“A matemática, vista corretamente, possui não apenas verdade, mas também suprema beleza – uma beleza fria e austera, como a da escultura.” Bertrand Russell. Assinale a opção que apresenta a afirmação adequada sobre os componentes desse pensamento.
- A)O segmento “vista corretamente” indica a causa da oração seguinte.
Errada, porque “vista corretamente” expressa modo/condição de leitura, e não causa da oração seguinte.
- B)Os segmentos “não apenas” e “mas também” indicam oposição de ideias.
Errada, porque “não apenas... mas também” marca adição e reforço, não oposição.
- C)As palavras “verdade” e “beleza” indicam valores que se contradizem na ciência matemática.
Errada, porque “verdade” e “beleza” aparecem como atributos complementares da matemática, e não como valores contraditórios.
- D)O termo “a” em “a da escultura” engloba a verdade e a beleza da matemática.
Errada, porque o “a” de “a da escultura” é artigo definido e não engloba nada; a alternativa confunde função gramatical com sentido global.
- E)A comparação “como a da escultura” traz uma valorização artística da matemática.
Certa, porque a comparação com a escultura associa a matemática a uma beleza artística, valorizando-a esteticamente.
Gabarito: E
A questão explora leitura sintática e, principalmente, o valor semântico das construções do período. Em provas da FGV, é muito comum confundir relação de causa, oposição e comparação, porque a banca adora trocar a função real do trecho por uma impressão de leitura mais apressada. No enunciado, “vista corretamente” é uma oração reduzida de particípio com valor adverbial, ligada à ideia de modo ou condição de leitura: a matemática, quando bem observada, apresenta essas qualidades. Não há causa aí, então já dá para desconfiar da alternativa que tenta transformar o trecho em justificativa causal. O ponto central está na comparação final: “como a da escultura”. Aqui Bertrand Russell aproxima a beleza da matemática da beleza da escultura, criando uma valorização estética da matemática. Ou seja, ele não está falando de cálculo frio e sem graça, mas de uma beleza especial, sofisticada, quase artística. É uma comparação que eleva a matemática ao campo do belo. Por isso, a opção correta é a que reconhece essa comparação como um recurso de valorização artística da matemática. A leitura adequada do período depende de perceber que o texto junta verdade e beleza, sem conflito, e ainda reforça a beleza matemática por analogia com a escultura.