Em todas as frases abaixo foram empregadas formas do tempo verbal do imperfeito (indicativo ou subjuntivo); a frase em que essa forma verbal tem o valor de ação passada dentro da qual ocorre outra é:
- A)Minha filha tinha uma postura muito elegante;
Errada, porque “tinha” aqui indica estado ou característica no passado, sem marcar uma ação em curso dentro da qual outra aconteça.
- B)Enquanto dormia, roubaram o relógio dela;
Certa, porque “dormia” expressa uma ação passada em desenvolvimento, interrompida pelo fato pontual de terem roubado o relógio.
- C)Eles pensavam visitar o centro na segunda-feira;
Errada, porque “pensavam” indica intenção ou plano no passado, não uma ação passada em andamento com outra inserida nela.
- D)Se tivesse dinheiro, comprava esse carro;
Errada, porque “tivesse” e “comprava” constroem uma hipótese, e não uma ação passada em curso com outra ocorrendo dentro dela.
- E)Olha só onde estava o meu relógio.
Errada, porque “estava” funciona como descrição de estado no passado, sem o valor de fundo temporal para outro evento.
Gabarito: B
A questão gira em torno do imperfeito do indicativo e do imperfeito do subjuntivo. Esses tempos não servem só para indicar “passado remoto”; eles podem mostrar ação habitual, descrição, hipótese e, principalmente aqui, uma ação passada em andamento, dentro da qual acontece outro fato pontual. É o famoso cenário de fundo: uma ação mais longa em curso e, no meio dela, entra outra ação mais curta. Na frase correta, “Enquanto dormia, roubaram o relógio dela”, “dormia” cria a moldura temporal: ela estava dormindo quando o roubo aconteceu. Ou seja, o dormir é a ação passada em desenvolvimento, e o roubar é o fato pontual que ocorre dentro desse intervalo. Isso é exatamente o valor aspectual pedido pelo enunciado. Nas demais alternativas, o imperfeito aparece com outros valores. Em “tinha” e “pensavam”, ele descreve estado ou intenção no passado. Em “comprava”, o sentido é hipotético, típico do imperfeito do subjuntivo em construção condicional. Já “estava” é apenas descrição de estado passado, sem ideia de uma ação interrompida por outra. Esse uso é clássico nas gramáticas normativas: o imperfeito do indicativo pode indicar processo em curso no passado, servindo de pano de fundo para outro evento pretérito mais pontual. A banca costuma cobrar justamente essa leitura de aspecto verbal, não apenas a identificação mecânica da forma verbal.