“Diz-se da melhor companhia: sua conversa é instrutiva; seu silêncio, formativo.” O emprego da vírgula é justificado na frase acima pela mesma razão em que ocorre na seguinte frase:
- A)“A imaginação não faz castelos no ar, mas transforma cabanas em castelos no ar.”
Errada: a vírgula aí separa orações coordenadas adversativas com valor de contraste, não marca elipse de verbo.
- B)“O homem ama a companhia, mesmo que seja apenas a de uma vela que queima.”
Errada: a vírgula isola a expressão concessiva "mesmo que...", e não substitui um termo omitido.
- C)“Para o desesperado, a partida não parece menos impossível do que o retorno.”
Errada: a vírgula isola o adjunto adverbial antecipado "Para o desesperado"; não há elipse com a mesma função do enunciado.
- D)“Ai de quem é só, pois se cai não tem quem o levante.”
Errada: a vírgula aparece antes da conjunção explicativa "pois", sem relação com omissão de verbo.
- E)“Beber pouco é bom. Não beber, trágico.”
Certa: a vírgula marca a elipse do verbo "é" na segunda oração, exatamente como no enunciado.
Gabarito: E
Aqui a banca explora uma vírgula muito comum: a que marca a omissão de um termo já entendido pelo contexto. Na frase "sua conversa é instrutiva; seu silêncio, formativo", a vírgula aparece no segundo período para substituir o verbo "é". Em linguagem mais direta, a leitura é: "seu silêncio é formativo". A vírgula, portanto, não separa sujeito e verbo de forma aleatória; ela entra no lugar do termo repetido, por economia e paralelismo. Esse recurso é frequente em construções coordenadas em que a segunda oração repete parte da primeira. A gramática normativa descreve isso como elipse, isto é, omissão de elemento facilmente recuperável pelo contexto. Não é uma regra de pontuação decorada, mas uma ajuda para a fluidez do texto. O leitor percebe sem esforço o que foi deixado subentendido. Na alternativa E, isso acontece exatamente: "Beber pouco é bom. Não beber, trágico." A segunda oração omite o verbo "é", ficando implícito "Não beber é trágico". A vírgula cumpre a mesma função da frase do enunciado: marcar a elipse do verbo e manter o paralelismo da construção. FGV adora esse tipo de questão porque mistura pontuação com sintaxe. Então, sempre que você vir uma estrutura curta, com dois blocos em paralelo e um termo faltando na segunda parte, desconfie da elipse. É a vírgula trabalhando como quem diz: "não vou repetir o que já ficou óbvio".