Uma das regras básicas do emprego da vírgula é para marcar a omissão de um termo; a frase abaixo que exemplifica esse fato é:
- A)Aquele que não conhece Deus nesse mundo, não o conhecerá no outro;
Errada, porque a vírgula separa indevidamente o sujeito da oração principal, sem marcar omissão de termo.
- B)O segredo de um bom sermão é ter um bom começo, um bom fim e ter ambos o mais perto possível;
Errada, porque a vírgula apenas enumera complementos e não indica termo suprimido.
- C)Quando a infância morre, seus cadáveres são chamados de adultos;
Errada, porque a vírgula marca apenas a oração subordinada adverbial anteposta, não a omissão de termo.
- D)Comprar um carro é necessidade, uma Mercedes, um exagero;
Certa, porque a vírgula marca a omissão do verbo "é" na segunda parte da frase.
- E)Uma criança, como seu estômago, não precisa de tudo que você pode dar a ela.
Errada, porque a vírgula isola a expressão comparativa "como seu estômago", sem indicar elipse.
Gabarito: D
Uma das funções mais clássicas da vírgula é marcar a omissão de um termo que já apareceu antes e fica subentendido. Isso ocorre com muita frequência em construções elípticas, especialmente quando o autor quer deixar a frase mais rápida, elegante ou irônica. Em gramática, esse recurso aparece ligado à elipse ou zeugma: você omite algo que o leitor recupera facilmente pelo contexto. Na frase certa da questão, a ideia é clara: "Comprar um carro é necessidade, uma Mercedes, um exagero". O verbo "é" foi suprimido antes de "uma Mercedes". Se você recompuser a estrutura, fica assim: "Comprar um carro é necessidade, uma Mercedes é um exagero". A vírgula, portanto, ajuda a marcar essa omissão de termo. Isso é bem diferente de simples pausa de leitura. A vírgula não está ali para "respirar" na frase, mas para sinalizar que um elemento foi apagado porque já está subentendido. É um uso muito cobrado em prova, porque a banca gosta de testar se você enxerga a estrutura sintática escondida por trás da aparência estilosa da frase. Então, a chave é perceber a retomada implícita do verbo. Em termos tradicionais, trata-se de elipse de verbo, um caso típico de zeugma, e a pontuação funciona como pista sintática para o leitor. Se você identificar o termo omitido, a questão fica praticamente resolvida.