Na frase “Por melhor que se fale, quando se fala muito, finalizase sempre por dizer tolices”, emprega-se o pronome SE para:
- A)não identificar quem pratica a ação verbal;
Certa, porque o "se" indica sujeito indeterminado, ou seja, não identifica quem pratica a ação verbal.
- B)identificar com precisão o agente das ações;
Errada, pois a frase não revela com precisão o agente; ao contrário, ele fica indeterminado.
- C)colocar as frases na voz passiva;
Errada, porque não se trata de voz passiva sintética, já que não há sujeito paciente sendo enfatizado.
- D)particularizar cada uma das ações;
Errada, pois o "se" não particulariza ações; ele generaliza e deixa o agente sem identificação.
- E)colocar a frase no espaço individual.
Errada, porque o pronome não desloca a frase para um espaço individual, e sim marca indeterminação do sujeito.
Gabarito: A
O pronome "se" pode aparecer com várias funções na morfologia, e uma das mais cobradas é a de indicar sujeito indeterminado. Isso acontece quando o verbo fica na 3ª pessoa do singular e a frase não diz quem pratica a ação, como em "fala-se", "vive-se", "precisa-se". Nessa construção, não interessa apontar um agente específico: a ideia é que alguém, em geral, pratica a ação, mas esse alguém fica oculto. Na frase da questão, em "se fala" e "finaliza-se", não há como identificar com precisão quem fala ou quem finaliza. O foco está na ação em si, e não no autor dela. Por isso, o "se" funciona como índice de indeterminação do sujeito. É um uso clássico da gramática normativa e muito explorado em prova, especialmente pela FGV, que adora misturar esse caso com a voz passiva. Cuidado: isso não é voz passiva sintética. Na passiva, o verbo costuma admitir concordância com um sujeito paciente, como em "vendem-se casas". Aqui, a estrutura não quer transformar objeto em sujeito; quer simplesmente esconder ou generalizar o agente. Em resumo: se você não consegue dizer quem faz a ação, o "se" está sinalizando indeterminação.