“Os deuses deram ao homem o intelecto, que é a maior de todas as riquezas” (Sófocles, trágico grego) A forma de redigir-se diferentemente esse pensamento, que modifica o seu sentido original, é:
- A)O intelecto, a maior de todas as riquezas, foi dado ao homem pelos deuses;
Está incorreta porque troca a construção original por uma redação passiva que enfraquece a relação de predicação do texto, alterando o valor semântico do enunciado.
- B)Os deuses deram o intelecto, que é a maior de todas as riquezas, ao homem;
Está incorreta porque omite a ideia de que o intelecto é o que foi dado ao homem e reorganiza a frase de modo menos fiel ao pensamento original.
- C)Ao homem foi dado pelos deuses o intelecto, a maior de todas as riquezas;
Está incorreta porque, embora pareça próxima do original, a formulação muda a estrutura do período e não reproduz com a mesma precisão a relação entre dom, sujeito e qualificação.
- D)A maior de todas as riquezas, o intelecto, foi dada pelos deuses ao homem;
Está incorreta porque há problema de concordância: 'a maior de todas as riquezas' exige concordância com 'o intelecto', mas a construção apresentada fica gramaticalmente inadequada.
- E)O intelecto foi dado ao homem pelos deuses, como a maior de todas as suas riquezas.
Está correta porque preserva o sentido central da frase, mantendo a ideia de que o intelecto é a maior riqueza concedida pelos deuses ao homem, apenas com reformulação legítima.
Gabarito: E
A questão cobra paráfrase, isto é, reescrever a frase sem mudar o sentido original. Aqui, a ideia central é simples: os deuses concederam ao homem o intelecto, e esse intelecto é apresentado como a maior de todas as riquezas. Quando você troca a forma, precisa cuidar para não mexer nessa relação de sentido entre o sujeito que dá, o objeto dado e a descrição feita dele. A alternativa correta é a que preserva tudo isso, mas altera o enunciado com naturalidade. Em vez de afirmar diretamente que o intelecto "é" a maior riqueza, ela o apresenta como tal por meio de uma comparação explicativa, sem distorcer a mensagem principal. Ou seja, a frase continua dizendo que o intelecto é um grande bem concedido pelos deuses ao homem. O problema das outras opções é que alguma pecinha da engrenagem escorrega: ora muda a estrutura, ora mexe na concordância, ora altera a relação lógica entre os termos. Em prova da FGV, isso costuma aparecer como armadilha de reescrita elegante, mas com sentido levemente deslocado. Então, a chave aqui é esta: não basta a frase parecer bonita; ela precisa manter o mesmo conteúdo informativo. Em paráfrase, o fiscal da banca é o sentido, não o enfeite.