Uma coluna jornalística, sobre o tema do orçamento impositivo, começa do seguinte modo: “Há 160 anos, o então reino da Prússia, que veio a se tornar o principal Estado-membro do Império Alemão, se via às voltas com a necessidade de aumentar os gastos bélicos para fazer frente às guerras que enfrentava.” Nesse caso, o tipo de introdução adotada é a:
- A)definição de termos importantes para o texto;
Errada, porque o trecho não explica conceitos nem esclarece termos técnicos; ele apenas usa um fato histórico como entrada para o tema.
- B)divisão do tema em partes para análise futura;
Errada, porque não há divisão do assunto em partes nem anúncio de tópicos de análise futura.
- C)alusão a fatos históricos relacionados com o presente;
Certa, porque a abertura usa um episódio histórico como referência para iluminar e contextualizar o tema atual do texto.
- D)apresentação objetiva de uma tese sobre o assunto;
Errada, porque a introdução não apresenta uma tese de modo direto e objetivo; ela ainda está preparando o caminho para a discussão.
- E)defesa antecipada diante de argumentos contrários.
Errada, porque não há antecipação de refutação nem combate a possíveis objeções do leitor.
Gabarito: C
A questão explora um tipo bem comum de abertura de texto jornalístico: a introdução por alusão histórica. Em vez de começar diretamente dizendo a opinião do autor ou definindo o tema, a coluna puxa um exemplo do passado para iluminar o presente. Isso dá contexto, cria analogia e ajuda o leitor a entender o assunto com um gancho mais elegante. No enunciado, a menção à Prússia e às guerras de há 160 anos não serve para fazer história por si só. Ela funciona como ponte para o tema atual do orçamento impositivo, sugerindo que a discussão sobre gastos públicos e necessidades do Estado tem um paralelo histórico. Ou seja, o passado é usado como chave de leitura do presente. Por isso, o gabarito é a letra C: há alusão a fatos históricos relacionados com o presente. Esse recurso é muito típico em colunas e artigos de opinião, porque aproxima o leitor e já prepara o terreno para a argumentação. Não é definição, nem divisão temática, nem tese explícita, nem defesa contra crítica: é um começo que conversa com a história para tratar do agora. Em termos de técnica textual, você pode pensar assim: quando o texto abre com um evento passado para contextualizar um problema atual, a banca quer que você reconheça o recurso de analogia histórica ou referência histórica contextualizadora. Simples, elegante e muito FGV.