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Português · FGV · 2021

Questão comentada de Português

“A gramática, a mesma árida gramática, transforma-se em algo parecido a uma feitiçaria evocatória; as palavras ressuscitam revestidas de carne e osso, o substantivo em sua majestade substancial, o adjetivo, roupa transparente que o veste e colore como um verniz, e o verbo, anjo do movimento que dá impulso à frase”. (Baudelaire) Nessa frase, a classe gramatical dos verbos é caracterizada como “anjo do movimento que dá impulso frase”; a frase abaixo cujo verbo foge a essa característica é:

Gabarito: B

Baudelaire brinca com a ideia de que o verbo é a parte da frase que põe tudo para andar, porque ele normalmente exprime ação, fenômeno ou estado em transformação. Em provas, a banca gosta de cobrar justamente essa noção funcional: o verbo como elemento dinâmico, que faz a frase avançar e não só descreve um quadro parado. Por isso, a questão pede a alternativa em que o verbo não tem esse sabor de movimento. O caso clássico é quando o verbo deixa de indicar ação e passa a funcionar como verbo de ligação, apenas conectando o sujeito a um estado, característica ou condição. A frase fica mais descritiva do que dinâmica. Em "Muitos candidatos andam preocupados com as provas", o verbo "andam" não significa caminhar nem deslocar-se. Ele vale como verbo de ligação, com sentido aproximado de "estão", introduzindo um estado de preocupação. Ou seja, em vez de dar impulso à frase, ele só apresenta uma condição momentânea. Já nas demais alternativas, os verbos trazem ação clara: "chegaram", "compreende", "produzem" e "leio" colocam o sujeito em movimento semântico. Em morfologia e sintaxe, a pista é essa: quando o verbo anuncia ação ou mudança, ele cumpre bem o papel de "anjo do movimento"; quando vira ligação, sai dessa função expressiva.

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