“A Polícia Civil cumpriu, nesta quinta-feira (19), dois mandados de prisão na zona leste de Porto Alegre contra ladrões de veículos. Um deles, que havia rompido tornozeleira eletrônica após ter progredido de regime, foi recapturado no bairro Glória e, segundo a investigação, seguia cometendo crimes.” A substituição proposta para um segmento desse texto que se mostra adequada é:
- A)cumpriu / tem cumprido;
Errada, porque "cumpriu" no passado pontual não equivale a "tem cumprido", que indica ação contínua ou repetida com ligação ao presente.
- B)dois mandados / dois mandatos;
Errada, porque "mandados" são ordens judiciais, enquanto "mandatos" têm outro sentido, ligado a representação ou período de exercício de cargo.
- C)um deles / um dos quais;
Errada, porque "um deles" não é semanticamente equivalente a "um dos quais" nesse trecho, já que a estrutura relativa fica artificial e altera a organização da informação.
- D)havia rompido / rompera;
Certa, porque "havia rompido" e "rompera" são formas equivalentes do pretérito mais-que-perfeito, ambas indicando ação anterior a outra ação passada.
- E)foi recapturado / recapturou-se.
Errada, porque "foi recapturado" está na voz passiva analítica, enquanto "recapturou-se" altera a estrutura e pode sugerir um valor reflexivo ou indeterminado inadequado ao contexto.
Gabarito: D
A questão explora substituição com manutenção de sentido e correção gramatical. Aqui, o ponto central é o valor do pretérito mais-que-perfeito do indicativo, que indica uma ação anterior a outra também passada. Em português culto, ele pode aparecer na forma composta, como "havia rompido", ou na forma simples, como "rompera". As duas formas são equivalentes no valor temporal, embora a forma simples seja menos usada na fala do dia a dia. No trecho, a ideia é mostrar que a pessoa já tinha rompido a tornozeleira antes de ser recapturada. Por isso, trocar "havia rompido" por "rompera" preserva exatamente essa anterioridade. A frase continua correta, natural e fiel ao sentido original. As outras alternativas tropeçam em semântica ou em gramática. Por exemplo, "cumpriu" não vira "tem cumprido" porque mudaria o tempo verbal e a relação com o fato narrado; "mandados" e "mandatos" não são sinônimos; e "foi recapturado" não tem o mesmo valor de voz que "recapturou-se". Em provas da FGV, atenção total à equivalência de tempo verbal e ao sentido preciso da palavra: ela adora uma substituição que parece inocente, mas muda tudo.