A frase abaixo que está integralmente adequada à norma culta da língua portuguesa é:
- A)Os turistas na cidade preferiam mais as praias do que as atrações históricas;
Errada: o verbo "preferir" pede a comparação correta com "a" e não admite a forma "preferiam mais... do que".
- B)Quando os policiais interviram na discussão, tudo se acalmou;
Errada: a forma correta é "intervieram", pois "intervir" é verbo irregular e não faz o passado como verbo comum.
- C)Os passageiros reaveram os objetos perdidos após uma hora de espera;
Errada: o correto é "reouveram", e não "reaveram", porque "reaver" também é verbo irregular na conjugação.
- D)Sem que ninguém esperasse, haviam cerca de 250 espectadores sem convite;
Errada: o verbo "haver" com sentido de existir é impessoal, então deve ficar no singular: "havia cerca de 250 espectadores".
- E)Ao invés de irem embora, os candidatos permaneceram no local das provas.
Certa: a frase está adequada à norma culta, com uso correto da locução e concordância do verbo reduzido "irem" com "os candidatos".
Gabarito: E
A banca aqui está cobrando dois clássicos da norma culta: regência/construção verbal e concordância verbal. Em prova de português, esses detalhes adoram aparecer com cara de frase tranquila, mas vêm com uma armadilha escondida no meio do caminho. A alternativa correta é a letra E porque a estrutura está bem montada: a locução "ao invés de" foi usada com valor de oposição, isto é, no sentido de "em vez de", e o verbo da oração reduzida, "irem", concorda corretamente com "os candidatos". Além disso, "permaneceram no local das provas" também está perfeitamente adequado. Vale lembrar que a norma culta aceita "ao invés de" quando há ideia de contraste/oposição. O problema é que muita gente usa essa locução como se fosse sinônimo geral de "em vez de" em qualquer contexto, e aí começa a confusão. Nesta frase, porém, o uso está compatível com o sentido pretendido. As demais alternativas trazem erros bem típicos de concurso: verbo irregular mal flexionado, impessoalidade do verbo haver, e construções comparativas ou verbais fora do padrão. A FGV gosta exatamente disso: uma frase quase certa, mas com um detalhe gramatical que derruba tudo.