Observemos o raciocínio a seguir. - Todo tribunal de júri contém jurados - Este tribunal contém jurados - Este tribunal é um tribunal de júri Este silogismo mostra um problema, que é:
- A)possuir mais de três termos;
Errada, porque o silogismo apresentado não sofre com excesso de termos; o problema não é quantidade, e sim validade da ligação lógica.
- B)mostrar uma premissa falsa;
Errada, porque o enunciado não discute a verdade material das premissas, mas a estrutura inferencial do argumento.
- C)conter uma ambiguidade;
Errada, porque não há ambiguidade relevante de palavras; o erro está na passagem indevida das premissas para a conclusão.
- D)ter uma errada distribuição de termos;
Certa, porque o argumento não distribui corretamente os termos e faz uma conclusão mais forte do que as premissas permitem.
- E)concluir sem ligação lógica com as premissas.
Errada, porque existe ligação temática entre premissas e conclusão; o defeito não é ausência de relação, mas uma inferência inválida.
Gabarito: D
Esse enunciado trabalha com silogismo, isto é, um raciocínio dedutivo em que a conclusão deve nascer de forma válida a partir das premissas. Em lógica clássica, um argumento categórico precisa respeitar regras como: ter exatamente três termos, manter o mesmo sentido desses termos e distribuir corretamente pelo menos um termo em cada premissa quando necessário. Aqui, a primeira premissa diz: "Todo tribunal de júri contém jurados". A segunda diz: "Este tribunal contém jurados". A conclusão afirma: "Este tribunal é um tribunal de júri". O problema é que o fato de dois conjuntos compartilharem um elemento não autoriza concluir que sejam a mesma coisa. Em linguagem de prova, isso é um salto lógico. O defeito técnico está na distribuição dos termos. O termo médio, "contém jurados", aparece de modo que não permite ligar validamente a classe "este tribunal" à classe "tribunal de júri". A conclusão exige uma equivalência que as premissas não deram. Em outras palavras: ter jurados não transforma automaticamente o tribunal em tribunal do júri, porque vários órgãos ou estruturas podem conter jurados sem serem, por isso, tribunais de júri. Por isso, o gabarito é a alternativa D. A banca explora a diferença entre uma relação de pertencimento e uma identidade lógica. Em lógica tradicional, isso é um vício de forma, não de conteúdo: o raciocínio parece convincente, mas não fecha dentro das regras do silogismo.