Um pai envia do interior do estado uma mensagem para seu filho, na capital: “Filho, vou até aí na segunda-feira só para almoçar com você!” Nesse caso, o termo SÓ tem o mesmo valor em:
- A)Briguei com ele só porque ele a ofendeu;
Errada: aqui "só" tem valor causal em "só porque", equivalente a "apenas por causa de".
- B)Só por causa de dez reais, não precisava tudo isso;
Errada: "só por causa de" reforça ideia de motivo exclusivo, mas não reproduz o mesmo valor de finalidade restrita do enunciado.
- C)Só para almoçar, eu levei mais de duas horas;
Errada: aqui "só" introduz ideia de finalidade, mas a construção destaca a locução inteira e não o mesmo efeito restritivo simples do enunciado.
- D)Fiquei lá só para assistir ao espetáculo;
Certa: "só" vale como "apenas", restringindo a finalidade da ação, exatamente como no enunciado.
- E)Do arbusto, só nasceram duas flores.
Errada: aqui "só" tem valor de exclusão em relação ao sujeito/quantidade, significando "apenas duas flores".
Gabarito: D
A palavra "só" pode funcionar como advérbio de exclusão, com valor de "apenas", "somente". Nesse uso, ela restringe a ideia expressa pelo verbo ou pela locução verbal, deixando claro que não há outra finalidade, razão ou consequência além daquela indicada. Em linguagem de prova, a banca gosta de perguntar justamente esse valor semântico, porque a mesma palavrinha pode mudar de sentido conforme a frase. No enunciado, "vou até aí na segunda-feira só para almoçar com você" significa "vou apenas para almoçar com você". Ou seja, o termo "só" limita o propósito da visita: não é para resolver outro assunto, nem para fazer mais nada, mas somente para almoçar. A alternativa D repete exatamente esse valor de exclusão: "Fiquei lá só para assistir ao espetáculo" = "Fiquei lá apenas para assistir ao espetáculo". Em ambos os casos, "só" tem sentido restritivo, ligado à ideia de finalidade exclusiva. As outras alternativas usam "só" com valor diferente: causa, limitação quantitativa ou exclusão em outra estrutura, então não batem com o uso do enunciado. Em questão de sintaxe e semântica, a FGV costuma cobrar essa troca de função com bastante carinho - e sem aviso prévio.