O escritor Victor Hugo disse certa vez: “Há pessoas que têm uma biblioteca como os eunucos têm um harém”. Essa mesma ideia sobre os livros se repete em:
- A)“Um livro é uma janela por onde escapamos”;
Errada, porque transforma o livro em instrumento de fuga e liberdade, e não em objeto decorativo sem uso real.
- B)“Enquanto houver livros, não existirá o passado”;
Errada, porque atribui ao livro uma função positiva de preservação da memória, o oposto da crítica sugerida no enunciado.
- C)“Livro raro é aquele devolvido depois de emprestado”;
Errada, porque faz uma piada sobre empréstimo e devolução, sem reproduzir a ideia de posse apenas aparente.
- D)“Livros são apenas árvores repletas de rabiscos”;
Errada, porque reduz o livro a matéria-prima e despreza seu valor simbólico, mas não expressa a noção de posse vazia do enunciado.
- E)“Um livro se resume a uma lombada dourada de couro”.
Certa, porque apresenta o livro como objeto de aparência, valorizado pela forma, mas sem uso ou aproveitamento real.
Gabarito: E
A questão trabalha interpretação de metáforas e ironia. Victor Hugo compara certas pessoas com "eunucos" que possuem um harém: isto sugere posse sem usufruto, isto é, a pessoa até tem o objeto de desejo, mas não o aproveita de verdade. Em concursos, a FGV adora esse tipo de leitura: você precisa captar o sentido implícito, não só as palavras bonitas da frase. A alternativa correta é a que também trata o livro como algo reduzido à aparência, à posse decorativa, sem leitura, sem uso e sem experiência real. A ideia central não é elogio ao livro, mas crítica ao comportamento de quem exibe livros como enfeite. Ou seja: o livro vira símbolo social, quase um adereço de estante. Por isso, a opção E retoma exatamente esse sentido depreciativo. "Uma lombada dourada de couro" remete a livro de fachada, bonito por fora, mas vazio no uso prático. É a mesma lógica da frase de Victor Hugo: ter não significa viver, guardar não significa ler. Na interpretação de texto, procure sempre o núcleo semântico da frase original. Aqui, o eixo é a distância entre aparência e uso real, um recurso muito comum em provérbios, aforismos e frases de efeito.