Há um conjunto de verbos em língua portuguesa – dar, fazer, pôr e ter – que são empregados com uma enorme variedade de sentidos; a frase abaixo em que o verbo dar é adequadamente substituído por outro verbo de valor mais específico é:
- A)O presidente deu-lhe uma missão difícil / doou-lhe;
Errada, porque em “deu-lhe uma missão” o sentido é atribuir/encarregar, e “doou-lhe” significa doar algo material, o que não cabe aqui.
- B)Meu filho não dava para essa atividade / se entregava a;
Errada, porque “não dava para essa atividade” indica não servir ou não se adaptar, e “se entregava a” muda completamente a ideia da frase.
- C)O jogo deu tumulto ao final / resultou em;
Certa, porque “deu tumulto” significa causou tumulto, e “resultou em” preserva esse valor de consequência.
- D)A mãe daria a vida pelos filhos / presentearia;
Errada, porque “daria a vida” é uma expressão de sacrifício, enquanto “presentearia” remete a oferecer um presente, o que deturpa o sentido.
- E)Deu toda a fortuna para o convento / produziu.
Errada, porque “deu toda a fortuna para o convento” significa destinou ou entregou, e “produziu” não tem relação com esse contexto.
Gabarito: C
Esta questão explora a polissemia dos verbos em português, isto é, a capacidade de uma mesma forma verbal assumir sentidos diferentes conforme o contexto. Verbos muito frequentes, como dar, fazer, pôr e ter, vivem “se reinventando” na frase, então o segredo da prova é perceber qual substituição mantém o sentido exato do enunciado, sem forçar demais a expressão. Aqui, o verbo dar aparece com o sentido de causar, provocar ou produzir um efeito: “o jogo deu tumulto ao final”. Nesse caso, ele não significa entregar, oferecer ou presentear, mas indicar que o jogo gerou tumulto. Por isso, o verbo mais específico deve preservar essa ideia de resultado ou consequência. A alternativa correta é a C, porque “resultou em” mantém perfeitamente a noção de que o jogo produziu tumulto ao final. É uma substituição semântica adequada, com valor mais preciso do que o verbo genérico dar. Nas demais alternativas, o verbo escolhido muda o sentido da frase ou cria um significado inadequado. Em prova da FGV, esse tipo de questão costuma cobrar exatamente isso: atenção ao contexto e ao valor semântico do verbo, não apenas à ideia “parecida” à primeira vista.