“O adulador é um ser que não tem estima nem pelos outros, nem por si mesmo. Aspira apenas a cegar a inteligência do homem, para depois fazer dele o que quiser. É um ladrão noturno que primeiro apaga a luz e em seguida começa a roubar.” Nesse pensamento, a única frase abaixo, retirada do texto, expressa em linguagem denotativa ou lógica é:
- A)“O adulador é um ser que não tem estima nem pelos outros, nem por si mesmo”;
Certa, porque apresenta uma ideia objetiva e direta, sem metáfora ou imagem figurada.
- B)“Aspira apenas a cegar a inteligência do homem”;
Errada, pois “cegar a inteligência” é expressão metafórica, não literal.
- C)“É um ladrão noturno”;
Errada, porque “ladrão noturno” funciona como imagem figurada para caracterizar o adulador.
- D)“...primeiro apaga a luz”;
Errada, já que “apaga a luz” integra uma comparação simbólica, não uma descrição literal.
- E)“...em seguida começa a roubar”.
Errada, porque “começa a roubar” faz parte da sequência metafórica construída no trecho.
Gabarito: A
A questão cobra a diferença entre linguagem denotativa e linguagem conotativa. Na denotativa, você encontra a palavra usada no sentido direto, objetivo, quase de dicionário, sem enfeite nem imagem. Na conotativa, a frase vem carregada de metáfora, comparação ou figura de linguagem, exigindo leitura interpretativa. No trecho, o autor constrói uma crítica ao adulador com várias imagens figuradas: “cegar a inteligência”, “ladrão noturno”, “apaga a luz”, “começa a roubar”. Tudo isso é linguagem conotativa, porque não deve ser entendido ao pé da letra. O leitor percebe a intenção moral do texto, não uma descrição literal de ações reais. A única frase em linguagem denotativa é “O adulador é um ser que não tem estima nem pelos outros, nem por si mesmo”. Aqui, o sentido é direto e lógico: o texto afirma, sem metáfora, como o adulador é caracterizado. Por isso o gabarito é a alternativa A. Em prova da FGV, vale ficar esperto: quando aparecer um texto cheio de imagens, a banca costuma pedir a frase mais literal, aquela que não depende de interpretação figurada. É o tipo de questão em que a poesia faz barulho, mas a resposta certa costuma falar baixinho e literalmente.