Na escrita, frequentemente confundimos os vocábulos mesmo e igual, redigindo de forma inadequada. Assinale a opção que indica a frase em que o vocábulo mesmo está bem empregado.
- A)O cliente assistiu ao mesmo filme de ontem.
Certa: "o mesmo filme" indica exatamente o filme já mencionado, com valor de identidade.
- B)O freguês tomava o mesmo chope de sempre.
Errada: a construção fica artificial, porque o contexto pede apenas referência ao hábito de sempre, não um destaque de identidade.
- C)A menina comeu o mesmo prato de dois dias atrás.
Errada: a ideia de repetição temporal torna o uso de "mesmo" inadequado como está posto.
- D)Todos os dias o funcionário matava os mesmos insetos.
Errada: aqui há repetição de ação e pluralidade, mas a frase não trabalha bem o valor de identidade que justifica "mesmo".
- E)A secretária sempre colhia o mesmo cravo pela manhã.
Errada: o uso soa forçado, pois a frase descreve um costume diário e não um referente único bem definido.
Gabarito: A
O vocábulo "mesmo" costuma aparecer com dois valores principais: como reforço de identidade, no sentido de "o próprio", "exatamente aquele", e como elemento de concordância em usos específicos. Na linguagem de prova, o ponto mais cobrado é esse: "mesmo" funciona bem quando indica que se trata do mesmo referente, sem ideia de comparação frouxa. Na frase da alternativa A, "o cliente assistiu ao mesmo filme de ontem", a ideia está correta porque o texto quer dizer que o cliente viu exatamente o filme que foi visto no dia anterior. Não há problema de construção nem de sentido: "mesmo" retoma o mesmo objeto, com valor de identidade. É o clássico caso em que a palavra não está fazendo pose de enfeite, está cumprindo função semântica clara. As demais alternativas forçam um uso que soa inadequado no contexto, porque "mesmo" não deve ser usado para substituir "igual" de modo automático quando a frase pede apenas repetição de hábito ou semelhança. Em outras palavras, a banca explora o vício de achar que "mesmo" e "igual" são sempre intercambiáveis. Não são. Em provas da FGV, a dica é olhar se a palavra está marcando identidade precisa ou se foi encaixada só por costume. Se houver sentido de "o próprio", "aquele mesmo", a construção tende a estar correta. Se a frase fica artificial, é sinal de armadilha.