Um artigo sobre a vida eclesiástica trazia em seu texto três afirmações em sequência: - Os religiosos levam uma vida sóbria e isenta de preocupações com a família; - A vida sóbria e isenta de preocupações com a família a torna apta para trabalhos intelectuais; - A aptidão para trabalhos intelectuais torna essa vida própria ao ensino. A conclusão lógica que o artigo deve tirar dessas premissas é:
- A)todos deviam levar uma vida como a dos religiosos;
Errada, porque transforma uma característica dos religiosos em regra universal para todas as pessoas.
- B)os trabalhos intelectuais só devem ser feitos por religiosos;
Errada, porque restringe indevidamente os trabalhos intelectuais apenas aos religiosos, o que não foi dito.
- C)a educação deve levar os alunos a uma vida sóbria;
Errada, porque inverte a relação lógica: o texto não diz que a educação leva à vida sóbria.
- D)a vida isenta de preocupações é própria para a educação;
Errada, porque mistura conceitos e conclui algo sobre educação que não decorre das premissas.
- E)os religiosos devem dedicar-se ao ensino.
Certa, porque a sequência das premissas leva à ideia de que os religiosos, por sua aptidão intelectual, devem dedicar-se ao ensino.
Gabarito: E
Aqui a banca trabalha com raciocínio lógico em cadeia: uma premissa leva à outra, e a conclusão precisa respeitar exatamente essa sequência. Primeiro, os religiosos levam uma vida sóbria e sem preocupações com a família. Depois, essa vida os torna aptos para trabalhos intelectuais. Por fim, essa aptidão para o trabalho intelectual torna essa vida própria ao ensino. Ou seja, o enunciado vai amarrando as ideias até chegar a uma conclusão sobre a função que combina com esse estilo de vida. Não é para inventar uma regra geral para toda a sociedade, nem trocar a ordem das relações. Você precisa apenas seguir o encadeamento das premissas, como numa escadinha: vida sóbria - aptidão intelectual - ensino. Por isso, a conclusão lógica é que os religiosos devem dedicar-se ao ensino. Eles são apresentados como pessoas cuja forma de vida os capacita para a atividade intelectual, e essa capacidade, por sua vez, os torna próprios para ensinar. Em questões da FGV, esse tipo de conclusão costuma ser a mais direta possível, sem exageros como "todos devem" ou "somente eles podem". Em resumo, não há fundamento para dizer que toda educação deva ser sóbria ou que só religiosos possam fazer trabalhos intelectuais. A conclusão correta é simplesmente a que decorre do encadeamento das premissas apresentadas, sem esticar a corda.