É muito conhecida a frase “O crime não compensa”; se colocarmos a conjunção MAS após essa frase, uma complementação formalmente adequada será:
- A)O crime não compensa, mas a pena pode ser demasiadamente longa;
Errada, porque fala da pena, mas não estabelece um contraste direto com a ideia de compensação do crime.
- B)O crime não compensa, mas todos preferem não cometê-lo;
Errada, porque repete uma ideia óbvia de escolha moral, sem criar a oposição semântica esperada após "mas".
- C)O crime não compensa, mas o número de criminosos diminui a cada dia;
Errada, porque trata de estatística criminal, não de contraste entre prejuízo e ganho ligado à noção de compensar.
- D)O crime não compensa, mas felizmente muitos criminosos são presos;
Errada, porque traz uma consequência positiva da punição, mas não complementa de forma lógica a ideia de que o crime pode compensar.
- E)O crime não compensa, mas o lucro pode ser transitoriamente grande.
Certa, porque contrapõe a ideia de que o crime não vale a pena com o fato de que ele pode gerar lucro temporário.
Gabarito: E
A conjunção "mas" costuma ligar duas ideias em contraste: a segunda frase precisa caminhar na direção oposta ou, pelo menos, criar uma oposição lógica em relação à primeira. Aqui, a frase-base é "O crime não compensa". Então, depois do "mas", a continuação deve trazer um dado que enfraqueça ou relativize essa ideia, sem simplesmente repetir a mesma conclusão. Perceba a diferença: se eu digo "não compensa", a continuação adequada não é algo que também confirme que não compensa, nem algo que fale de consequência genérica sem relação direta com a compensação. O ideal é apresentar uma contraposição semântica, isto é, um contraste de sentido bem ajustado ao que veio antes. Na alternativa correta, a ideia é: o crime não compensa, mas o lucro pode ser transitoriamente grande. Isso funciona porque, apesar de o crime não valer a pena no longo prazo, ele pode parecer vantajoso por um período curto. Ou seja, a segunda oração cria exatamente a tensão esperada pela conjunção "mas": há um benefício momentâneo que contrasta com a avaliação negativa geral. Em provas, a FGV gosta de cobrar esse encaixe lógico entre as partes da frase. Então, não basta a resposta ter sentido geral de segurança pública ou punição: ela precisa casar semanticamente com a oposição criada por "mas". Aqui, o truque é perceber que "compensar" admite a ideia de ganho, e a continuidade correta explora justamente esse ganho apenas passageiro.