Muitas vezes, as alegações presentes num raciocínio apresentam deficiências argumentativas. Numa redação escolar, havia o seguinte segmento: “Napoleão só podia mesmo perder a batalha em Waterloo, pois estava gripado, febril, como pude ver num filme de produção americana”. O problema dessa alegação é que ela:
- A)não estabelece uma relação lógica entre os fatos;
Errada, porque há sim uma relação lógica aparente entre a doença e a derrota; o problema é a credibilidade da prova usada, não a estrutura lógica em si.
- B)contraria as informações históricas;
Errada, porque a questão não pede confronto com a história real de Napoleão, e sim a análise da fragilidade do argumento apresentado.
- C)se apoia em fato de pouca credibilidade: um filme;
Certa, porque a alegação se apoia em um filme, que é uma fonte pouco confiável para sustentar uma afirmação histórica desse tipo.
- D)mostra uma afirmação sem referências;
Errada, porque a frase até apresenta uma referência, ainda que fraca; o problema não é falta total de referência, mas a má qualidade dela.
- E)se apoia exclusivamente em opiniões pessoais.
Errada, porque a frase não se baseia em opinião pessoal, e sim em uma suposta informação retirada de um filme.
Gabarito: C
A questão cobra um defeito clássico de argumentação: usar uma fonte fraca ou pouco confiável para sustentar uma conclusão. Em redação e em interpretação de texto, não basta parecer que algo faz sentido; é preciso que a prova apresentada tenha força real e relação adequada com o que se afirma. No trecho, a frase tenta concluir que Napoleão perdeu em Waterloo porque estava gripado e febril. Até aí, até poderia haver uma tentativa de causa e efeito. O problema é que essa “prova” vem de um filme americano, ou seja, de uma fonte que não tem, por si só, valor histórico nem autoridade suficiente para sustentar a afirmação. Em termos argumentativos, isso é um apelo a fonte duvidosa ou pouco credível. A banca FGV costuma cobrar esse tipo de falha lógica com pegadinha elegante: a frase soa organizada, mas a base usada para convencer o leitor é frágil. Resultado: a conclusão fica mal amparada. Por isso, o gabarito é a letra C. O ponto central não é discutir se Napoleão realmente estava doente ou se a história está certa, mas sim perceber que o argumento se apoia numa referência fraca, que não serve como sustentação confiável para a alegação.