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Português · FGV · 2021

Questão comentada de Português

“De acordo com o jornal Deming Headlight, uma brasileira morreu de fome e sede ao tentar entrar clandestinamente nos Estados Unidos. Agentes da fronteira do estado do Novo México encontraram o corpo dela nessa semana. A família da vítima confirmou ao jornal O Globo que ela se chama Lenilda dos Santos e tinha 49 anos. De acordo com o relato dos familiares, ela cruzou a fronteira dos EUA com o México, no entanto, acabou ficando para trás, sem água nem comida em pleno deserto, porque ficou cansada. O grupo prometeu que voltaria para dar ajuda, porém isso não aconteceu. Lenilda ainda conseguiu falar com a família por mensagens de celular, inclusive com compartilhamento de localização. Ela parou de responder e, então, eles solicitaram ajuda às autoridades do Novo México, estado no sudoeste dos EUA.” (Catraca Livre, 17/09/2021) A frase abaixo, retirada do texto, que mostra um erro gramatical é:

Gabarito: E

A questão cobra um ponto bem comum em prova de Português: a adequação gramatical e a referência temporal no texto. Em redação jornalística, a escolha dos demonstrativos e advérbios de tempo precisa combinar com o momento narrado. Quando o fato já está situado no passado do relato, o mais adequado é retomar com forma que deixe essa distância temporal clara. Na alternativa E, o problema está em "nessa semana". Como o texto já está narrando um fato ocorrido anteriormente, a referência temporal fica mal encaixada na norma culta mais exigente; nesse contexto, a forma esperada seria a que marca melhor o passado em relação ao relato, evitando a ambiguidade deixada por "nessa". É esse descompasso que a banca cobra como erro gramatical. As outras frases não trazem desvio relevante de norma-padrão: estão sintaticamente bem formadas e semanticamente coerentes. A FGV gosta muito de testar detalhes de coesão, regência, pontuação e referência pronominal, então vale ficar atento a palavras pequenas, porque, em prova, elas adoram fazer o papel de vilãs discretas. Em resumo: o item errado é o que apresenta inadequação na marcação temporal do enunciado. A banca explora justamente esse tipo de sutileza de coesão e de uso da língua culta, e não um erro mais "gritante" de concordância ou regência.

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