O célebre escritor Emerson declarou certa vez: “Cometa um crime e tu descobrirás como o mundo é de vidro.” Para que essa frase esteja enquadrada na norma culta da língua, a forma que lhe devemos dar é:
- A)Comete um crime e você descobrirá como o mundo é de vidro;
Errada, porque mistura "você" com verbo no imperativo da 2ª pessoa pluralizada de forma inadequada e ainda troca a estrutura original de modo inconsistente.
- B)Cometa um crime e tu vais descobrir como o mundo é de vidro;
Errada, porque o verbo "vais descobrir" não combina com a sequência proposta e cria uma construção pouco adequada à norma culta no contexto.
- C)Comete um crime e você vai descobrir como o mundo é de vidro;
Errada, porque "você vai descobrir" até é possível, mas a frase não preserva a correspondência correta entre as formas verbais exigidas pelo enunciado.
- D)Comete um crime e tu descobrirás como o mundo é de vidro;
Certa, porque mantém a coerência entre o imperativo na 2ª pessoa e o pronome "tu", com o verbo seguinte também na 2ª pessoa do singular.
- E)Cometa um crime e descobrirás como o mundo é de vidro.
Errada, porque há ruptura na concordância: começa com forma de tratamento incompatível e termina com "descobrirás" sem sujeito expresso adequado.
Gabarito: D
Aqui a banca testa a concordância entre o verbo no imperativo e o pronome de tratamento usado em seguida. Quando a frase se dirige a "você", o verbo costuma aparecer na 3ª pessoa do singular: "cometa", "faça", "veja". Já com "tu", o verbo vai para a 2ª pessoa: "comete", "faz", "vê". É aquele momento em que a língua cobra coerência, sem misturar roupa de festa com chinelo. Além disso, a segunda parte da frase também precisa acompanhar a pessoa verbal escolhida. Se a ordem é dada com "tu", a continuação naturalmente deve ficar em 2ª pessoa: "tu descobrirás". Se fosse com "você", seria esperado "você descobrirá". O importante é não misturar "cometa" com "tu" e depois trocar a pessoa no meio do caminho. No enunciado, a forma mais adequada à norma culta é: "Comete um crime e tu descobrirás como o mundo é de vidro." Aqui, "comete" está na 2ª pessoa do imperativo, combinando com "tu", e "descobrirás" mantém a mesma pessoa verbal. Por isso, o gabarito é a alternativa D. Em prova de concurso, a FGV adora esse tipo de ajuste fino: não basta a frase parecer bonita, ela precisa estar gramaticalmente alinhada. Pense sempre assim: verbo e pronome andam em dupla, e a dupla tem que combinar.