Abaixo aparecem cinco manchetes jornalísticas de um jornal carioca; a única delas que mostra influência da visão do redator é:
- A)Infecções pelo coronavírus disparam na Itália;
Certa, porque o verbo "disparam" é expressivo e dá tom de intensidade, revelando a visão do redator sobre o aumento dos casos.
- B)Aumenta número de cidades que dependem do INSS;
Errada, pois "aumenta" é um verbo neutro e direto, sem forte marca avaliativa.
- C)Temporal deixa 4 mortos no Rio;
Errada, porque "deixa 4 mortos" apenas informa o resultado do temporal, sem carga subjetiva evidente.
- D)Relatos de abuso sexual crescem no Brasil;
Errada, já que "crescem" mantém tom informativo e objetivo, típico de manchete jornalística.
- E)Congresso pode reduzir prazo de tramitação de MPs.
Errada, pois "pode reduzir" indica possibilidade e não traz, por si, juízo expressivo do redator.
Gabarito: A
Em manchetes jornalísticas, a ideia é informar com objetividade, mas nem sempre a linguagem fica totalmente neutra. Às vezes o redator escolhe uma palavra mais carregada, mais expressiva ou até meio dramática, e aí aparece a sua visão de mundo, mesmo que de forma discreta. É o tipo de detalhe que a FGV adora cobrar: a manchete parece informativa, mas uma palavrinha entrega a intenção do autor. Na questão, a pista está no verbo escolhido. Em vez de dizer apenas que os casos aumentaram, a manchete fala em "disparam", que sugere alta muito brusca, quase explosiva. Isso é uma escolha lexical com forte valor expressivo, e não uma simples descrição neutra do fato. Ou seja, há um toque de subjetividade do redator na forma de apresentar a notícia. As demais manchetes usam construções mais secas e descritivas, próprias do registro jornalístico: verbos como "aumenta", "deixa", "crescem" e "pode reduzir" apenas reportam o fato ou a possibilidade. Já a expressão com "disparam" foge um pouco dessa neutralidade e faz o leitor sentir a gravidade da situação. É a notícia com gravidade, não com gravata, mas quase. Em prova, pense assim: objetividade jornalística não significa ausência total de escolha. A banca costuma explorar justamente a diferença entre narrar um dado e colorir esse dado com um termo avaliativo ou enfático. Aqui, a manchete que mais revela essa marca pessoal é a que traz linguagem mais incisiva e menos neutra.