Um fabricante de ração para animais colocou no anúncio dessa comida a seguinte frase: “A qualidade de nossos produtos é tão boa que qualquer animal se dá conta”. Sobre essa frase publicitária, é correto afirmar que:
- A)ocorre a valorização do produto por meio de uma comparação;
Errada, porque não há comparação explícita na frase, mas sim um efeito de ambiguidade e de possível duplo sentido.
- B)a mesma expressão pode referir-se de modo carinhoso ao proprietário dos animais de estimação;
Errada, porque "animal" não está sendo usado como forma carinhosa para o dono, e sim como palavra com dupla possibilidade de leitura.
- C)a oração “que qualquer animal se dá conta” indica a causa da oração anterior;
Errada, porque a oração "que qualquer animal se dá conta" expressa consequência/intensificação do que foi dito antes, não causa.
- D)a expressão “qualquer animal” mostra valor ambíguo, podendo ser prejudicial ao anúncio;
Certa, porque "qualquer animal" pode ser entendido literalmente ou em sentido pejorativo, criando ambiguidade que prejudica o anúncio.
- E)a frase indica que também os humanos poderiam alimentarse com essa ração de ótima qualidade.
Errada, porque o texto não afirma que humanos possam consumir a ração; essa conclusão extrapola o enunciado.
Gabarito: D
Em publicidade, cada palavra é escolhida para produzir efeito de sentido. Aqui, a frase parece elogiar a ração, mas também brinca com a expressão "qualquer animal", que pode significar simplesmente "todo e qualquer animal" ou, no uso coloquial, alguém sem refinamento, bruto, "um animal" no sentido pejorativo. Essa duplicidade é o ponto central da questão: o anúncio tenta ser persuasivo, mas acaba abrindo espaço para leitura ambígua. Na interpretação de texto, especialmente em prova da FGV, você precisa observar não só o sentido literal, mas também os efeitos implícitos e as possíveis leituras de uma expressão. A banca gosta muito de explorar polissemia, ambiguidade e duplo sentido, principalmente quando o texto é publicitário ou humorístico. Por isso, o gabarito é a letra D: a expressão "qualquer animal" mostra valor ambíguo e pode prejudicar o anúncio. Em vez de reforçar apenas a qualidade do produto, a frase deixa uma fresta para interpretação inconveniente, como se a ração servisse até para "animal" no sentido figurado de pessoa rude ou sem educação. Em propaganda, esse tipo de ruído pode enfraquecer a mensagem. Resumo da ópera: quando o texto publicitário quer convencer, ele precisa ser claro e eficiente. Se a frase permite uma leitura menos favorável, a banca costuma cobrar exatamente isso.