Todo texto argumentativo inclui normalmente elementos de defesa da tese apresentada; leia, por exemplo, o texto a seguir. “Observo que a má conduta moral não consiste na ação física exterior, mas na visão interior da vontade, fora das leis da razão e da religião. Isso é claro, já que matar um inimigo na batalha e dar a pena de morte a um criminoso não são considerados pecados; no entanto, o ato exterior é exatamente o mesmo que no caso de um assassinato.” (Berkeley) Para defender sua tese, apresentada no primeiro período do texto, o autor apelou para:
- A)a citação de exemplos;
Certa, porque o autor defende sua tese apresentando casos concretos como exemplos para ilustrar a diferença entre ato exterior e intenção moral.
- B)as suas opiniões pessoais;
Errada, porque o texto não se baseia em opinião pessoal gratuita, mas em exemplos usados para sustentar o raciocínio.
- C)o testemunho de autoridades;
Errada, porque não há citação de autoridades externas para validar a tese; o argumento é construído com exemplos.
- D)a força das leis;
Errada, porque o texto não apela à força das leis como fundamento argumentativo, embora mencione a pena de morte.
- E)as decisões dos tribunais.
Errada, porque não há referência a decisões judiciais; a menção é apenas ilustrativa, não jurídica.
Gabarito: A
Em textos argumentativos, o autor não apenas afirma uma tese: ele também precisa sustentá-la com recursos de convencimento. Entre os recursos mais comuns estão exemplos, comparações, citações, dados e apelos à autoridade. É aquele momento em que a ideia deixa de ser só opinião e ganha “provas” para ficar mais convincente. No trecho de Berkeley, a tese é que a má conduta moral não está no ato físico em si, mas na intenção interior da vontade. Para reforçar isso, ele apresenta casos concretos: matar um inimigo em batalha e aplicar a pena de morte a um criminoso. Esses exemplos servem para mostrar que o mesmo ato exterior pode ter valor moral diferente conforme a intenção e o contexto. Por isso, o gabarito é a alternativa A. O autor recorre à citação de exemplos, ou seja, usa situações concretas para ilustrar e sustentar sua ideia. Em prova de interpretação, quando o texto traz casos específicos para “provar” um ponto, a banca costuma chamar isso de exemplificação. Repare que não há apelo a tribunal, lei ou autoridade externa decidindo a questão. O foco está na construção do argumento por meio de exemplos comparativos, um recurso clássico da argumentação filosófica e textual.