De cada uma das manchetes abaixo, sugerimos uma inferência. A inferência é adequada em:
- A)O governo pretende arrecadar mais em impostos / o governo pretende combater a sonegação;
Certa, porque combater a sonegação é uma consequência lógica de buscar maior arrecadação tributária.
- B)As chuvas deste verão serão intensas / os turistas vão aumentar a procura pelo inverno europeu;
Errada, porque chuvas intensas não permitem concluir, por si, que turistas procurarão o inverno europeu.
- C)Houve mais um assalto a banco em São Paulo / os bancos vão abrir mais agências no interior do estado;
Errada, porque mais um assalto a banco não autoriza inferir abertura de mais agências no interior.
- D)Os viadutos da cidade estão sofrendo corrosão / é urgente a construção de novos viadutos;
Errada, porque corrosão em viadutos sugere necessidade de manutenção ou reparo, não necessariamente a construção de novos.
- E)As aulas vão chegar ao fim em dezembro / a educação no país vai de ruim a péssima.
Errada, porque o fim das aulas em dezembro não leva, logicamente, à conclusão de que a educação no país vai piorar.
Gabarito: A
Em interpretação de texto, inferência é a conclusão lógica que você tira a partir de uma manchete, sem inventar informação fora dela. A ideia é ver se a relação entre causa e efeito, problema e solução, ou fato e consequência faz sentido. Em prova da FGV, isso costuma aparecer em enunciados bem curtos, mas cheios de armadilhas: a manchete diz uma coisa, e a inferência precisa ser realmente compatível com ela. Aqui, a alternativa A é a adequada porque existe uma relação plausível entre "o governo pretende arrecadar mais em impostos" e "o governo pretende combater a sonegação". Se o objetivo é arrecadar mais, uma medida coerente é reduzir a evasão e a sonegação, já que isso aumenta a receita sem necessariamente criar novos tributos. É uma leitura lógica, alinhada com o sentido do enunciado. As demais alternativas fazem saltos indevidos. Elas transformam um fato em uma consequência exagerada, sem conexão necessária. Em prova, desconfie sempre quando a inferência parece uma opinião, uma previsão muito ampla ou uma conclusão dramática demais. Inferência boa é a que nasce do texto; a ruim é a que nasce da imaginação. Em linguagem de concurso, vale a regra de ouro: a conclusão precisa ser compatível com o conteúdo e com a direção semântica da manchete. A FGV gosta exatamente disso, de testar se você consegue ler o que está implícito sem extrapolar.