Muitos vocábulos empregados em frases têm seu sentido histórico documentado em dicionários; outros, porém, só possuem significados quando situados em um contexto. A frase abaixo em que o vocábulo destacado tem significado dependente do contexto é:
- A)Maria leva uma vida difícil;
Errada, porque “difícil” tem sentido lexical estável e não depende do contexto para ser entendido.
- B)Em anexo, enviamos um cheque;
Errada, porque “anexo” aqui funciona de modo objetivo e dicionarizado, sem depender da situação para ganhar sentido.
- C)O computador ficou ligado a noite inteira;
Errada, porque “ligado” tem significado claro e habitual na frase, sem exigência de contexto especial.
- D)O empregado faz tudo rapidamente;
Errada, porque “rapidamente” é um advérbio com sentido direto e já conhecido, independente do contexto.
- E)Só vou sair amanhã à noite.
Certa, porque a expressão “à noite” tem seu valor interpretativo definido pela frase, marcando o período em que a ação vai acontecer.
Gabarito: E
A questão trabalha com a diferença entre vocábulos de sentido mais estável, registrado no dicionário, e palavras que ganham valor conforme a frase. Em prova, a banca gosta de observar se você percebe quando a palavra não está funcionando com o sentido “de prateleira”, mas sim com um significado sugerido pela situação, pelo contexto e pela construção da oração. Nas alternativas, quase todas trazem palavras com sentido bem previsível e independente do contexto, como “vida”, “cheque”, “ligado”, “rapidamente” e “amanhã”. Já em enunciados como “à noite”, a leitura muda conforme o contexto em que aparece: pode indicar um momento do dia, uma faixa de tempo ou até uma construção adverbial mais ampla, dependendo da frase. Por isso, o gabarito é a letra E. Em “Só vou sair amanhã à noite”, o valor de “à noite” não é apenas o de um termo isolado de dicionário, mas de uma expressão cuja interpretação fica amarrada ao enunciado completo, indicando o período em que a ação vai ocorrer. Ou seja, o sentido nasce da combinação entre os elementos da frase. Na prática, a lição é simples: se a palavra parece “obrigada” a se apoiar na frase para fazer sentido com precisão, desconfie. A FGV adora esse tipo de leitura fina, porque ela testa interpretação real, não só memória de vocabulário.