Quais são os sentidos veiculados por cada uma das ocorrências da palavra “como” no parágrafo abaixo? “Philippus Aureolus Theophrastus Bombastus Von Hohenheim, que muito provavelmente não gostava do seu nome (quem gostaria?), resolveu se chamar Paracelso, porque se comparava a um naturalista romano de nome Aulus Cornelius Celsus. Na realidade, o suíço Paracelso (1493-1541) era médico, assim como1 seu pai. Responsável pela cura de dois famosos, o impressor Frobenius e o filósofo Erasmo, foi convidado a dar aulas em uma Universidade na Áustria, mas, como2 se achava muito superior aos colegas, acabou brigando com todo mundo, abandonou a carreira acadêmica e voltou a medicar pelos cantões do Velho Mundo.” MARTINS, Georgina. Os mortos que curam. Ciência Hoje, janeiro/fevereiro de 2025. Coluna Literária. Disponível em: https://cienciahoje.org.br/artigo/os-mortos-que-curam/. Acesso em: 05 fev. 2025. Adaptado.
- A)1. Exemplificação | 2. Ato de comer (1ª pessoa)
Errada: o primeiro "como" não exemplifica, e o segundo não tem sentido de ação de comer, mas de explicação causal.
- B)1. Comparação | 2. Causa
Certa: "assim como" estabelece comparação, e "como se achava..." indica causa do comportamento dele.
- C)1. Maneira/Modo | 2. Tempo
Errada: o primeiro não expressa modo, e o segundo não marca tempo, porque não indica momento da ação.
- D)1. Proporção | 2. Grau/Intensidade
Errada: não há ideia de proporção no primeiro nem de intensidade no segundo; ambos os sentidos estão ligados ao contexto comparativo e causal.
Gabarito: B
A palavra "como" é um verdadeiro coringa da sintaxe: ela pode indicar comparação, causa, conformidade, modo, exemplo e por aí vai. Em prova, o segredo é olhar o contexto imediato, porque o sentido não está na palavra isolada, mas na relação que ela cria com a oração ao redor. No trecho, em "era médico, assim como seu pai", o "como" compara duas realidades: Paracelso e seu pai exerciam a mesma profissão. Aqui, "assim como" funciona com valor de comparação, equivalente a "tal qual" ou "da mesma forma que". É o tipo de leitura mais segura quando a estrutura põe um termo ao lado do outro para aproximá-los. Já em "como se achava muito superior aos colegas, acabou brigando...", o "como" introduz a causa do que veio depois. A ideia é: por achar-se superior, ele brigou com todo mundo. Dá para reescrever mentalmente por "porque se achava muito superior", e isso confirma o valor causal. Por isso, o gabarito B está correto: 1 é comparação e 2 é causa. Em termos de classificação gramatical, esse é um exemplo clássico de conectivo que muda de função conforme o contexto, algo muito cobrado em sintaxe e semântica textual.